Arthur P. Azevedo
Serviço do vinho é a maneira adequada
de se servir o vinho para que se possa obter o máximo de
prazer na sua degustação. A arte do serviço
do vinho enriquece a degustação, destacando as melhores
qualidades do vinho.
Algumas etapas contribuem para o sucesso de uma degustação
como a utilização de adequado instrumental, a atenção
à temperatura que deve-se servir o vinho e a utilização
de taças adequadas.
Temperatura
A temperatura de serviço dos vinho é
um importante fator na determinação do sucesso da
degustação pois controla fatores que atuam diretamente
na liberação de aromas e na percepção
dos sabores.
A
tradicional norma que "vinhos devem ser servidos à
temperatura ambiente", nem sempre é válida,
especialmente em países de clima tropical, onde na maior
parte do ano existe a prevalência de temperaturas muito
elevadas e onde são ainda pouco usuais os ambientes climatizados.
Desta forma, deve-se prestar especial atenção às
temperaturas de serviço dos vinhos, procedendo-se aos ajustes
necessários para se servir os mesmos à temperatura
adequada. Abaixo, mostramos uma tabela de referência com
as temperaturas mais adequadas a cada tipo de vinho:
Temperaturas de Serviço- Brancos
Estas temperaturas são pontos de referência e não
regras absolutas; há termômetros utilizados em degustações,
porém isto só é utilizado quando há
excesso de formalidade e rigorosidade.
Normalmente os vinhos podem ser colocados em geladeiras até
atingirem a temperatura próxima ao ideal e retirados com
antecedência para iniciar o serviço. Em geral a parte
inferior da geladeira diminui entre 5 e 6o C o vinho em um período
de uma hora. Pode-se também utilizar baldes contendo gelo
e água ou ainda dispositivos do tipo Rapid-Ice, com a finalidade
de resfriar o vinho
Abertura da garrafa de vinhos

Inicialmente verificamos o estado de conservação
da garrafa, que pode apresentar depósito de poeira ou bolor
e neste caso deve-se limpá-la antes de iniciar o serviço
do vinho. Corta-se a cápsula abaixo do anel externo da
boca da garrafa, sendo que isto pode ser feito com faca ou dispositivo
próprio chamado cortador de cápsula; em seguida
limpa-se a parte superior da rolha, pois em algumas garrafas que
foram guardadas por longo tempo pode haver crescimento de fungos
ou depósito de impurezas na parte externa da rolha. A seguir,
a rolha será extraída com o auxílio de um
saca-rolhas. Há diversos tipos do mais simples ao mais
sofisticado, mas sempre devemos escolher o que evita esforços
demasiados e que seja fácil de se manipular.
Um
bom saca-rolhas apresenta uma espiral de aço longa, fina,
aberta e com mecanismo de alavanca para ajudar a deslizar a rolha.
A espiral deve ser arredondada para não fragmentar a rolha
ao ser retirada, principalmente em vinhos de guarda. Nos casos
em que a rolha se fragmenta, tentamos penetrar no restante da
rolha que está no gargalo com a haste do saca-rolhas em
diagonal, puxando-a muito devagar. Caso isto não seja possível
utiliza-se um saca-rolhas de lâminas paralelas ou introduz-se
o restante da rolha e passa-se o vinho para outro recipiente,
em geral um decanter, através de um filtro.
Abertura de garrafas de espumantes:
O
ato de agitar a garrafa de espumante e retirar a rolha provocando
estampido e atingindo todos ao seu redor com espuma pode ser traduzido
como um momento de alegria, porém isto significa desrespeito
ao vinho espumante e ao seu produtor. A perda da espuma resulta
num vinho sem gás, com perda de suas características.
Para abrir um espumante de maneira eficiente deve-se retirar a
cápsula, abrir e retirar a gaiola ou armação,
mantendo sempre o dedo polegar na parte superior da rolha e girá-la
até sentir o seu deslizamento devido à pressão
do interior da garrafa. Deixa-se o gás escapar lentamente,
evitando o estampido e conservando desta forma uma grande quantidade
de gás dissolvido no vinho.
Conservação do vinho em garrafas abertas:

Quando não é possível beber
todo o conteúdo da garrafa pode-se guardá-lo, em
geral, durante um ou dois dias em geladeira. A garrafa deve ser
fechada com a rolha de cortiça ou com uma rolha especial
de borracha colocada através de um dispositivo que se retira
o ar entre o líquido e a rolha, provocando-se vácuo
(Vacu-Vin) .
Abertura da garrafa de vinhos de guarda
- Decantação
Os vinhos que são guardados guardados por
longo tempo, especialmente os tintos, costumam apresentar um depósito
de sedimentos na lateral da garrafa e portanto a decantação
se faz necessária, tanto para a retirada destes sedimentos
quanto para a oxigenação do vinho, que desta forma
acaba por liberar mais aromas.
Quando há depósito de sedimento, deixa-se a garrafa
em pé algumas horas antes de se iniciar o serviço
do vinho para que estes se acumulem no fundo, facilitando sua
remoção, sendo que alguns vinhos necessitam que
a mudança de posição seja feita pelo menos
um dia antes do serviço ( exemplo: Vinho do Porto Vintage,
muito antigo ).
Procede-se a abertura da garrafa pela técnica habitual
e de maneira lenta entorna-se o conteúdo da mesma numa
jarra ou decanter.
Para se visualizar melhor o sedimento utiliza-se uma fonte de
luz, que pode ser tanto uma lâmpada quanto uma vela, para
se distinguir a sombra mais escura do depósito quando a
mesma estiver próxima ao gargalo. Pode-se simplificar a
operação utilizando-se funil e filtros que podem
ser de prata (mais sofisticados) ou de papel.
Taças
A taça de vinho cumpre duas funções
básicas: estética e funcional. Possui influência
importante, realçando algumas qualidades do vinho e amenizando
eventuais desequilíbrios ou carências.
Características
básicas:
1. Tamanho: variável de acordo com o tipo
de vinho
2. Material: vidro ou cristal liso, sem nada que impeça
a avaliação visual
3. Cor: sempre incolor
4. Haste: em geral alta, onde a taça deve ser apreendida,
evitando-se o calor da mão e o conseqüente aquecimento
do líquido, assim como a formação de marcas
no bojo da taça, comprometendo a avaliação
visual.
5. Formato: o formato da taça é importante e extremamente
variável, havendo correlação com a região
e tipo de vinho. As taças oficiais de degustação
ou I.S.O. (International Standart Organization) são de
paredes levemente curvas, boca com menor diâmetro que seu
corpo e haste longa. Para os vinhos espumantes temos a taça
tulipa ou flûte, que é estreita e comprida. Nesta
taça coloca-se em evidência a trajetória e
o tamanho das bolhinhas, fatores importantes para se determinar
a qualidade da perlage.