Veuve Cliquot é um nome que, no Brasil, e também em todo o mundo, é praticamente sinônimo de champanhe, líder de mercado e marca de enorme prestígio de norte a sul de nosso país. Desde 1810, quando Madame Clicquot assinou seu primeiro Vintage, que também foi o primeiro champanhe safrado da região, a busca pela perfeição sempre foi o lema da casa, expressa na frase que norteia os trabalhos na Maison: "Uma única qualidade, a primeiríssima".
Os champanhes safrados são bastante interessantes, por expressar, além do estilo da casa, do qual não se pode fugir, as características únicas e personalíssimas de cada safra, algo bastante difícil e que exige grande habilidade do chef de cave, que precisa escolher com muito cuidado todos os vinhos que farão parte do assemblage final, com a ressalva que aqui não se poderá usar vinhos de reserva, o que de certa forma facilitaria a tarefa.
No caso da Veuve Clicquot, são usados para os Vintage, vinhos de 17 a 21 Grands Crus, sendo cinco anos o tempo mínimo que permanecem nas caves subterrâneas em Reims.
Para o lançamento dos ícones da Veuve Clicquot, La Grande Dame Blanc e os Vintages Blanc e Rosé, todos da safra 2004, a LVMH do Brasil, representada por seu presidente Sergio Degese, trouxe para o Brasil o chef de cave da maison, Dominique Demarville, que mais uma vez encantou a todos com sua cativante simpatia e profundos conhecimentos técnicos. O concorrido evento aconteceu em São Paulo, no sofisticado restaurante Clos de Tapas, com um menu especialmente preparado pelos chefs Ligia Karazawa e Raul Gimenez Garcia.
O presidente do grupo LVMH no Brasil, Sergio Degese, abrindo os trabalhos, disse da sua satisfação de estar presente neste momento muito especial, pois é muito raro coincidir o lançamento de La Grande Dame Blanc e dos Vintages Blanc e Rosé, da mesma safra, no mesmo dia.
Falando de sua criação, o chef de cave Dominique Demarville fez questão de ressaltar as características da safra 2004, para ele "um ano excepcional, que propiciou uma safra generosa, graças ao clima perfeito para o amadurecimento das uvas ".
Disse também que foi uma compensação pelas dificuldades da safra 2003, extremamente quente para os padrões de Champagne, com grande redução da quantidade de uvas colhidas. Ao contrário disso, 2004 teve um rendimento maior que o dobro da média histórica, com colheita mais tardia, no final de setembro.
Mesmo com uvas de excelente qualidade, Dominique disse ser necessária grande expertise em agronomia, "para escolher o momento exato da colheita, a seleção rigorosa das uvas e finalmente a difícil decisão sobre a composição final do assemblage". Finalizando, ressaltou que a perfeição da safra gerou champanhes com "acidez precisa e sabor rico, mantendo a elegância que caracteriza os vinhos da maison".
Das Palavras à Ação
A melhor parte da festa, obviamente, foi a degustação dos champanhes, conduzida por Dominique, que ressaltou as diferentes características de cada um dos vinhos. A seguir, as nossas observações sobre os champanes, com algumas informações técnicas fornecidas por Dominique.

La Grande Dame Blanc 2004 - a grande estrela da festa, veio vestida em roupagem de gala, em sua clássica e elegante garrafa escura, de formato inconfundível. É um champanhe de muita história e sua primeira versão surgiu em 1972, para celebrar os 200 anos da Maison Clicquot. Em 2004, La Grande Dame Blanc possui 61% de Pinot Noir e 39% de Chardonnay em sua composição, com uvas provenientes dos 8 Grand Crus históricos, a saber, Aÿ, Bouzy, Ambonnay, Verzy, Verzenay (todos na Montagne de Reims) e Avize, Oger e Le Mesnil-sur-Oger na Côte des Blancs. O resultado foi um champanhe de rara complexidade e elegância, de cor amarelo-palha claro e perlage impecável, exibindo aromas delicados e sutis de frutas secas, com notas de pêssego e cítricas, levíssimo amanteigado e tostado, com toques de brioches e instigante mineralidade. Na boca é complexa, com mousse densa e corpo pleno, sabor concentrado e equilíbrio perfeito, com acidez vibrante e frescor supremo, textura macia, longa persistência e final de boca focado e fresco, com acentuada mineralidade. Um trunfo enológico, inesquecível.

Veuve Clicquot Blanc 2004 - esta é a 64a safra da maison e apresenta em sua composição 62% de Pinot Noir, 30% de Chardonnay e 8% de Pinot Meunier, com dosagem de 7g/l de açúcar. Aqui a cor também é amarelo-palha-claro, com perlage composta por bolhinhas minúsculas, numerosas e persistentes. Aromas sutis de frutas brancas (pêssego), frutas secas (avelãs), notas cítricas, de brioches, de manteiga e leve toque tostado. Muito agradável na boca, impressiona pelo frescor e pela mineralidade, com mousse consistente, destacado equilíbrio, boa textura, bom corpo e longa persistência. Retro-olfato delicioso e elegante, fecham as sensações de forma brilhante. Um belo exemplar, com bom potencial de guarda por muitos anos.

Veuve Clicquot Rosé 2004 - um bom representante desse estilo de champanhe, composto por Pinot Noir 62%, Chardonnay 30% e Pinot Meunier 8%, com a adição de 15% de vinho de Pinot Noir de Bouzy, ao assemblage em branco. As uvas são provenientes exclusivamente de vinhedos Grands Crus e Premiers Crus. Belíssima cor rosada intensa, com reflexos cobre e perlage perfeita, abrem caminho para um vinho de aromas intensos, que remetem a frutas vermelhas frescas, evoluindo com o passar do tempo para notas de frutas secas, brioches e mel. Boca potente, com espuma consistente, sabor marcante, frescor intenso e longa persistência. Delicioso...
(Fotos gentilmente cedidas pela Tema Assessoria / LVMH)