Salvaguardas: Vai Passar?

Luís Henrique Zanini

11/08/2012

Brilhante texto (mais um) de Luís Henrique Zanini sobre a insanidade geral que se abate sobre os defensores das famigeradas salvaguardas. Vale a pena ler, e divulgar...




Ouvindo Chico Buarque lembrei da Salvaguarda...

Acima do bem e do mal, da virtude e da democracia, dos consumidores e do bom senso, acima de Deus e do Batman, estão algumas “lideranças” do vinho brasileiro. A prepotência e arrogância são marcas registradas desta geração de usurpadores do poder. 

Como compreender que o Ibravin recuse o convite da Fecomércio de São Paulo para dialogar? 

Como se negam a participar de um fórum que representa o maior mercado consumidor de vinhos do país? A única participação do Ibravin no Comitê do Vinho da Fecomércio foi para dizer que não reconhece a legitimidade deste Fórum. Interessante posicionamento, não acham? 

“O bloco dos napoleões vencidos” 

Montar o circo na Assembléia gaúcha até que é fácil, pedir a Salvaguarda, o Selo Fiscal, se voltar para o governo e dar as costas para o consumidor é uma estratégia, burra, mas é uma estratégia. Pode ser que o governo compre toda a produção excedente e passe a ser nosso principal cliente. Primeiro inviabilizam e causam o fechamento de 200 vinícolas com o Selo Fiscal e depois usam este fato como argumento pró- Salvaguarda. Não é de dar inveja a Maquiavel? A Salvaguarda só beneficiará as grandes indústrias e as cooperativas, as pequenas continuarão seu calvário, atoladas na burocracia. 

“Dormia a nossa Pátria Mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em temerosas transações”

Ter pedido a Salvaguarda sem discutir com as vinícolas e não levar o assunto à Câmara Setorial foi um ato fascista, mas não surpreendente, pois estes mesmos “líderes” já haviam ignorado um abaixo-assinado com mais de 400 assinaturas contra a implantação do Selo Fiscal. A ardilosa manipulação de dados continua de forma vil para sensibilizar o governo. A conquista da Salvaguarda agora é tratada como a salvação do setor, assim como seria o Selo Fiscal. Quando de fato vamos encarar verdadeiramente nossos problemas estruturais, como matriz produtiva, carga tributária, expansão do mercado e planejamento vitivinícola? 

“Palmas prá ala dos barões famintos”

Esta semana um importante vinicultor me disse que a condução da Salvaguarda pelas “cabeças pensantes” foi catastrófica, e que está sofrendo muito com o boicote aos vinhos nacionais: “pedir o Selo Fiscal foi um tiro no pé, pedir a Salvaguarda foi um na cabeça”. Infelizmente não podemos fazer nada para minimizar este zero no quesito evolução a que o vinho brasileiro foi submetido.

“Nesta avenida o samba popular”

Sabemos que a Vai-Vai em 2013, terá como tema os Vinhos do Brasil. E aí vamos encarar a avenida sem diálogo com o consumidor? Teremos coragem de fazer isto? Então vamos lá, e esperar mais um espetáculo narcisista para inflar nosso ego. Estaremos na rua, com o sorriso no rosto e as pipas abarrotadas de vinho, samba no pé e viticultores quebrados, muita purpurina para as grandes vinícolas que esbanjarão seus vinhos na ânsia utópica de embriagar o povo, o governo e a si mesmos, “canibais de nós mesmos, antes que a terra nos coma”.

“E num dia afinal tinham direito a uma alegria fugaz uma ofegante epidemia que se chamava carnaval, o carnaval, o carnaval, vai passar?”

Na avenida estará o Selo Fiscal como pierrot? A traída Câmara Setorial como penitente? Nossas medalhas, honrarias de batalhas? E como porta-bandeira, a intransigência? E a nossa madrinha da bateria será enfim a Salvaguarda? Vai passar?

E na quarta-feira de cinzas vamos voltar a beber o quê?

“Ai que vida boa ô lerê
Ai que vida boa ô lara

O Estandarte do Sanatório Geral... Vai passar?” 

Fonte: Grupo #Chatos da Salvaguarda, Facebook
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