The Drinks Report - As embalagens para vinho no mundo moderno

19/03/2014

As garrafas sempre foram a embalagem tradicional para vinhos. No entanto, novas alternativas vêm surgindo com muita força nos dias atuais. Confira os detalhes desse assunto neste ótimo artigo do website The Drinks Report, de Regina Maiseviciute, na precisa tradução de Marcello Borges


Texto extraído do website The Drinks Report, de autoria de Regina Maiseviciute, da Euromonitor International, analista de embalagens, com tradução de Marcello Borges, professor da ABS-SP e habitual colaborador de Artwine

Garrafas de vidro - um clássico em extinção?

O vidro sempre desempenhou um papel dominante no mundo das bebidas alcoólicas, com a cerveja e o vinho representando 90% dos volumes globais de garrafas de vidro, vendidos no varejo em 2012. Na categoria do vinho, a tradicional qualidade natural do vidro continua a ser um trunfo. 

Até hoje, diversos tipos de embalagem não conseguiram fazer um impacto no vinho, mas, com as melhorias na tecnologia e a mudança de hábitos de percepção e consumo, o vidro é cada vez mais contestado.

Em termos de volume, a indústria mundial de vinho utilizou 21 bilhões de garrafas de vidro em 2012. Vinhos leves (tintos, brancos e rosados) são uma parcela significativa desse volume (72%), e a maioria ainda está sendo consumida em países produtores do "velho mundo", o que também se aplica para o vinho espumante.

 


A Europa Ocidental continua sendo a região líder em garrafas de vidro como embalagem de vinhos

A Europa Ocidental foi responsável ​​por quase metade de todo o vinho vendido em vidro em 2012, com a demanda liderada pelos grandes países produtores de vinho (Alemanha, França e Itália), bem como pelo Reino Unido, este principalmente através de vinho leve. 

Os três principais países foram efetivamente responsáveis ​​por quase um terço das vendas globais de garrafas de vidro da indústria do vinho e 59% das vendas da Europa Ocidental. 

Como região desenvolvida para o vinho, a Europa Ocidental é também, obviamente, mais complexa e diversificada quando se trata de opções de embalagem de vinho, governada pelas diversas ocasiões de consumo e pelas necessidades dos consumidores.

Embalagens alternativas, opções para o público jovem?

A fortaleza de vidro do mercado europeu do vinho tem seus desafios, e embalagens alternativas, como bebidas em lata, estão crescendo entre os grupos de consumidores mais jovens nos vinhos de marca de moda. 

O vidro, que, no entanto, parece firme com 90 % das vendas de embalagens de vinho leve da Europa Ocidental em 2013, tem nos últimos anos perdido alguma posição para as caixas.

A caixa na forma de tijolo é preferida por consumidores de vinho sensíveis ao preço de compra, o que é especialmente evidente na Itália, enquanto as caixas com formatos diferentes têm se mostrado interessantes para os consumidores britânicos para consumo ao ar livre . No entanto, o bag-in-box parece destinado a ser mais um rival para a garrafa de vidro. 

O volume de vendas deve crescer por mais 27 milhões de unidades apenas na França, onde esta alternativa mais leve está oferecendo aos varejistas uma redução nos custos operacionais, ao mesmo tempo que oferece aos consumidores um produto de qualidade decente para o copo diário que acompanha as refeições. 

Por outro lado, a cultura do aperitivo na Alemanha está fazendo com que o consumo de vinho durante as refeições torne-se mais popular, o que representa uma oportunidade para o vidro.


Fora da Europa, o futuro do vidro é particularmente brilhante na China, onde uma população crescente de renda média continua a abraçar a cultura do vinho, com poucas perspectivas de concorrência de outros formatos de embalagens. 

Apesar de uma base relativamente baixa no momento, existe um forte potencial de crescimento, associado especialmente com a percepção de saúde associada ao vinho tinto. 

A crescente penetração da cultura ocidental do vinho na China também está impulsionando a aceitação crescente do consumo de vinho entre consumidores chineses, abocanhando fatias de bebidas locais e da cerveja. 

Espera-se que as garrafas de vidro tenham 9% de crescimento do volume de unidades entre 2012 e 2017, somando 1,5 bilhão de unidades consumidas de vinho na China.

Bag in box expande seu território de atuação

Enquanto as garrafas de vidro continuam a dominar como o formato preferido para vinhos, novos tipos de embalagem estão sendo introduzidos. Com 6% de crescimento do volume global ao longo de 2012, o bag-in-box tem alguns bons anos pela frente.


O bag in box está em rápida expansão entre alguns dos maiores países consumidores de vinho. Os EUA são o maior mercado mundial para o bag-in-box e teve 8% de crescimento nas unidades vendidas em 2012. 

O fator de economia representado pelo bag-in-box em comparação com a garrafa de vidro foi visto positivamente pelos consumidores americanos, que já estão familiarizados com embalagens econômicas para bebidas e cerveja, em particular através do uso de garrafas PET. 

A conveniência é o segundo fator por trás do sucesso do bag-in-box nos EUA, com o formato de três litros beneficiando-se do crescimento do consumo de vinho ao ar livre, e o seu tamanho e peso leve lhe permite ser facilmente transportado para o parque ou na praia.

É interessante, mas depois dos EUA, a França é o país que oferece algumas das melhores perspectivas para bag-in-box no lugar do vidro. 




Este é país onde o vinho é uma bebida tradicional e também um dos maiores consumidores da Europa em volume de vendas. O modelo francês é caracterizado por uma elevada procura de vinho econômico, combinada com uma boa variedade de ofertas de qualidade. Isto contrasta com a Itália e a Espanha, onde beber vinho é algo mais ligado ao ritual da garrafa de vidro. 

No entanto, desde que os fornecedores do bag-in-box possam trabalhar com fornecedores de rótulos, algo semelhante ao modelo francês poderia começar a ser visto em outros países vizinhos.

Vinho em lata, heresia suprema? Ou popularização do vinho?

O vinho em lata mostrou-se altamente eficaz em certos países. Não há dúvida de que esse tipo de embalagem continuará a aparecer bastante, mas ela continua a ganhar popularidade nos países onde se estabeleceu. As vendas de vinho em latas de metal subiu 19% sobre 2007-2012, e espera-se que continue a crescer a um ritmo de 11% até 2017, acrescentando mais 152 milhões de unidades globalmente.

As latas de bebidas estão se revelando especialmente populares para o consumo de vinho externo, pois são leves, convenientes e fáceis de transportar. 

São de consumo individual, com forte apelo sazonal para consumo ao ar livre nos meses de verão. E, o que é importante para o vinho, a lata pode oferecer uma forma de trazer o vinho para uma nova geração de consumidores mais jovens.

Os EUA, a Alemanha e o Reino Unido são os principais países consumidores de vinho vendido em latas; estes três mercados são responsáveis ​​por mais de 80% do vinho vendido em lata.

Nos EUA, o consumo de vinho continua a se beneficiar dos novos consumidores de vinho, especialmente os da chamada geração do Milênio. Estes apreciadores mais jovens continuam a romper com o padrão histórico de inserção no mercado de bebidas alcoólicas através da cerveja e, em seguida, movem-se para vinhos e outras bebidas.

 


Hoje, muitos jovens passaram a realmente gostar de vinhos, fato que tem sido impulsionado, em parte, por ofertas mais suaves como Riesling e variedades de Moscato que não exigem o "gosto adquirido" de outros vinhos. 

Eles também estão, de certa forma, mudando a maneira como o vinho é consumido normalmente, gelado ou com gelo. bebida tem sido vencedora, proporcionando aos consumidores a opção de comprar vinhos refrigerados e em embalagens menores.

No Reino Unido, fornecedores de lata como a Rexam estão ansiosos para ver as vendas se desenvolverem a níveis parecidos com os da Alemanha para o vinho espumante em particular, e não há dúvida de que as perspectivas parecem boas, tendo em vista as vendas até o momento. 

Haverá, no entanto, sempre um ator ocupando um nicho de vanguarda no campo da embalagem, mas que se revela uma opção que pode crescer entre apreciadores menos tradicionais de vinho e aqueles que procuram soluções de embalagem móveis.

 O artigo pode ser lido no original clicando AQUI

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Marcello Borges Marcello Borges é professor da Associação Brasileira de Sommeliers-SP (Conhaques e Charutos), tradutor, colaborador de revistas e sites especializados em matérias sobre vinhos, relógios, charutos, conhaque e outros assuntos ligados ao mercado de luxo.
Marcello Borges

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