Almaviva – lançamento da 15ª safra marcou época no Brasil

26/03/2013

Para lançar o Almaviva 2010, a décima-quinta safra desse ícone chileno, a Viña Almaviva preparou um evento de rara sofisticação e elegância, com a presença do alto escalão da Baron Philippe de Rothschild e da Viña Concha y Toro, parceiros desse bem sucedido projeto.



Inesquecível...essa é a palavra exata para definir o evento que marcou o lançamento da 15ª safra do vinho Almaviva, a 2010, realizado no hotel Unique em São Paulo, que se vestiu com roupa de festa para receber altos dignatários das empresas parceiras da joint-venture que criou o Almaviva.

A história é sobejamente conhecida, mas não custa lembrar. Em 1997, Baron Philippe de Rothschild e Viña Concha y Toro se uniram para criar um vinho franco-chileno que fosse a verdadeira expressão do terroir de Puente Alto, no Vale do Maipo, com supervisão dos enólogos de ambas as empresas.

Almaviva foi o primeiro vinho chileno criado com o conceito clássico de Château na França, partindo do pressuposto da existência de um terroir privilegiado, com uma equipe dedicada exclusivamente à produção de um único vinho, numa vinícola criada especialmente para este fim. As uvas que entram na composição do Almaviva, desde sua primeira safra em 1996, são as clássicas varietais bordalesas, com predomínio da Cabernet Sauvignon de Puente Alto, e com expressivas porcentagens da personalíssima Carmenère, coadjuvadas por Cabernet Franc e em alguns anos Merlot. Em 2010, a novidade de Michel Friou, atual enólogo do Almaviva, foi a adição da Petit Verdot, uma das uvas do chamado corte bordalês.

Almaviva, vinícola premium do Chile

O terroir de Puente Alto, onde a Viña Almaviva está localizada, se caracteriza pelo clima muito particular, fortemente influenciado pela proximidade com a Cordilheira dos Andes, que propicia o perfeito amadurecimento das uvas, com seus dias quentes e noites frias. O solo pedregoso e pouco fértil é o berço perfeito para acolher as preciosas videiras, que retribuem a gentileza com uvas de rara expressão. São 85 hectares que foram selecionados e reservados exclusivamente para a produção das uvas que dão origem ao Almaviva.

Degustação em Black-tie, uma experiência inédita no Brasil

Num evento marcado pela suprema elegância, o toque de classe foi dado pela decoração cenográfica de todos os ambientes onde aconteceu primeiro a degustação vertical de sete safras do Almaviva e posteriormente o jantar de gala. O traje Black-tie obrigatório deu um ar aristocrático à degustação, conduzida com maestria por Michel Friou, que mostrou ilustrativos gráficos do clima de cada uma das safras, comparando cada uma delas à média histórica da região, dando subsídios para que se entendesse de modo compreensivo o que cada um dos vinhos estava demonstrando na taça. Além disso, 

Aspecto da sofisticada sala de degustação

Michel contou alguns de seu segredos, tais como o inédito sistema de medição de condutividade elétrica do solo,  um dos parâmetros utilizados para a classificação das diferentes microzonas que compõe o vinhedo Almaviva.

Entender o solo é, para Friou, de vital importância para se interpretar melhor o terroir, promovendo a colheita das varietais em seu ótimo momento de maturidade enológica. Na vertical foram degustadas várias safras do Almaviva, a saber 1998, 1999, 2001, 2005, 2007, 2009 e finalmente 2010. Posteriormente, no jantar, foram mostradas as safras 1996 (a primeira produzida) e 2003.

Já abordamos numa matéria anterior, publicada na seção Artigos e Reportagens deste website, algumas destas safras, a 2001 e a 2009, que na degustação apenas confirmaram sua excelência. São nossas safras prediletas, junto com a 2004, com amplo favoritismo para a 2009, que, é de longe e em nossa opinião, o melhor Almaviva produzido até agora. 

Das outras safras, a 1999 surpreendeu pelos interessantes aromas muito agradáveis de frutas escuras, com destacadas notas animais, que remetem a fino couro e estábulo, o que fez a alegria dos inúmeros Bordeaux-Maníacos presentes à degustação. Por incrível que pareça, o 1999 ainda exibe excelente fruta e ótima estrutura de taninos, o que o credencia a evoluir com boa perspectiva nos próximos anos.

Vinhos da degustação vertical, perfilados para entrar em cena.



Outros dois vinhos, o 2005 e o 2007, ambos de safras muito prestigiadas no Chile, incorporaram o espírito bordalês e se mostraram surpreendemente fechados e em estado de semi-dormência, exatamente como se comportam seus meio-irmãos franceses. Friou nos contou que o 2005 se comporta, em suas palavras, como uma montanha-russa. Em algumas ocasiões está aberto, acessível e com fruta exuberante e, em outras, fechado, impenetrável e reticente. Ambos exibem fruta impecávelmente madura, estrutura tânica marcada por taninos finos e maduros, irretocável equilíbrio e caráter marcado pelo frescor que é o grande trunfo dos grandes vinhos chilenos.

Estrela da festa, o Almaviva 2010 promete...

Almaviva 2010 - a décima-quinta safra desse consagrado ícone chileno

Razão maior do evento, o Almaviva chegou precedido de enorme expectativa, pois Friou o apresentou como sendo uma evolução de seu trabalho desde 2008. A responsabilidade era muito grande, pois suceder o espetacular Almaviva 2009 não seria tarefa fácil para nenhum vinho, de qualquer parte do mundo. 

Como explicou Michel, a safra 2010 foi marcada por alguns imprevistos, como a primavera muito fria, que causou uma grande percentagem de “coulure” na Cabernet Sauvignon, uma condição viticultural que resulta de reações metabólicas ao clima frio, que impede o desenvolvimento dos frutos após a floração. O resultado final é uma sensível diminuição do rendimento final do vinhedo, o que acabou ocorrendo, com a produção de cachos pequenos, com poucos bagos por cacho.

Esta safra também se caracterizou por um atraso significativo no ciclo vegetativo, cerca de 10 a 15 dias mais tardio que o normal, o que se traduziu num processo de amadurecimento extremamente lento. Para se ter uma ideia, no final de Abril apenas 9% das uvas estavam colhidas, enquanto que em 2009, na mesma época, 40% das uvas já haviam sido colhidas. 

A colheita começou 10 dias mais tarde que o habitual, em 5 de Abril com a Merlot e terminou em 25 de maio com as últimas Carmèneres. Por causa do terremoto que afetou severamente o sul do Chile em 2010, os vinhedos foram menos irrigados durante as duas primeiras semanas de Março, com clima ligeiramente mais fresco que o habitual. 

Segundo Michel, estas condições peculiares favoreceram a colheita de uvas de extraordinária qualidade, marcadas de fruta exuberante, acidez marcante e rara pureza.

Michel Friou, enólogo do Almaviva


A degustação mostrou um vinho de cor púrpura, escuro e impenetrável, com nariz marcado por frutas escuras maduras, com finos toques de especiarias, notas florais discretas e tostado agradável, proveniente dos 17 meses de amadurecimento em barricas novas de carvalho francês. Na boca mostrou-se potente e intenso, com muito frescor e sem nunca perder a elegância, com perfeito equilíbrio entre acidez, álcool e taninos (muito finos). Um grande vinho, ainda em sua mais tenra infância, com enorme potencial para se desenvolver nos próximos anos. Merece ser acompanhado com atenção.

Presenças ilustres abrilhantaram o evento no Unique


Julien de Beaumarchais e Philippe Sereys de Rothschild, filhos da Baronesa Philippine de Rothschild e co-proprietários do Château Mouton-Rothschild

A festa que se seguiu à degustação vai certamente permanecer na memória de todos aqueles que tiverem o privilégio de lá estar. Decoração diferenciada, música brasileira de primeira qualidade 


Show de música encantou os convidados


Tudo isso em meio aos espetaculares pratos criados pelo chef Emmanuel Bassoleil, um dos principais nomes da alta gastronomia brasileira. A organização impecável do evento esteve a cargo de Cristina Neves e equipe, que atuou em conjunto com o cerimonial da Baron Philippe de Rothischild e da Concha y Toro.

Para dar ainda mais brilho, estiveram presentes os dois filhos da Baronesa Philippine de Rothschild, Philippe Sereys de Rothschild, co-proprietário do Château Mouton-Rothschild e Vice-Presidente do Conselho de Supervisão da Baron Philippe de Rothschild S/A, e Julien de Beaumarchais, que tem as mesmas credenciais de seu irmão, além de consagrado empresário do mercado de artes na França.

Filipe Larraín, diretor-geral da Viña Almaviva

Do Chile estiveram presentes o Gerente-Geral da Viña Almaviva, Felipe Larraín Vial e Rafael Guilisasti, Vice-Charmain da Viña Concha y Toro. Grandes personalidades que valorizaram de modo muito significativo este superlativo evento. 

Rafael Guilisasti, Vice-Charmain da Viña Concha y Toro


Confira mais fotos na galeria, no lado direito da página, ao alto.

Fotos de Roberto Silva (evento) e Assessoria Almaviva (institucionais)

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Arthur Azevedo Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP) , editor da revista Wine Style (2005/2011), jornalista especializado em vinhos, palestrante, consultor da Artwine, membro de confrarias internacionais.
Arthur Azevedo

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