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Pro-Chile transforma São Paulo
na capital dos melhores vinhos do Chile.
Arthur
Azevedo
Que
o brasileiro tem uma verdadeira paixão por vinhos chilenos,
ninguém duvida. Aliás, brasileiros e chilenos tem
ótimas relações há muito tempo e o
Chile, para os apreciadores de vinhos, tem sido um destino turístico
cada vez mais freqüente.
Aproveitando
este entusiasmo e mantendo uma tradição que já
dura alguns anos, o Pro-Chile - Escritório para Assuntos
Econômicos do Chile no Brasil, promoveu em São Paulo,
sob a batuta de Rigoberto Garcia, Adido Comercial do Chile no
Brasil, um dia inteiro de grandes atividades sobre vinhos chilenos,
no Hotel Renaissance.
Como
não poderia deixar de ser, a procura foi imensa e o local
foi literalmente tomado por uma multidão de enófilos
e profissionais do vinho, ávidos por conhecer os vinhos
apresentados por mais de 40 produtores e participar dos seminários
sobre a indústria do vinho no Chile e de novos aspectos
da moderna vitivinicultura chilena.
Os
seminários
Com
a sala de palestras lotada, Arthur Azevedo, titular desta coluna
de Menu, diretor-executivo da Associação Brasileira
de Sommeliers-SP e diretor-editor da revista Wine Style, mostrou
as verdadeiras razões do sucesso do vinho chileno: a inigualável
qualidade das
uvas produzidas no país e os expressivos investimentos
em equipamentos que as vinícolas chilenas fizeram nos últimos
anos, fruto da captação de recursos provenientes
de empresas chilenas e também de outros países.
Aspectos relevantes do solo, clima, viticultura e vinificação
foram mostrados em seu íntimo por Arthur, que também
ressaltou a importância comercial do Chile, que desde 2002
ocupa o primeiro lugar nas importações de vinhos
para o Brasil, com valores crescentes e que atingiram em 2004
a invejável marca de US$ 22 milhões de dólares
FOB (cifra que não considera os impostos, altíssimos
diga-se de passagem, cobrados pela aduana brasileira).
Na
seqüência, tivemos uma palestra de uma das maiores
autoridades em vitivinicultura do Chile, o Prof. Alejandro Hernandéz,
ex-presidente da Organização Internacional da Vinha
e do Vinho (OIV), que discorreu sobre um dos mais interessantes
temas do momento, que é a busca por novos terroirs (microclimas)
no Chile. Falando sobre "Maipo Alto: Um Vale e 7 terroirs",
Alejandro dissecou uma das mais intrigantes regiões vinícolas
do Chile, o Maipo Alto, muito próxima a Santiago e berço
de vinhos antológicos como o Almaviva, o Domus Áurea,
O El Principal e o Perez Cruz Luguai, para citar algumas destas
maravilhas.
Partindo
de estudos avançados de formação do solo
e análises profundas do clima e da topografia da região,
foi possível entender que o Maipo Alto não era uma
única região e sim sete diferentes regiões,
cada uma com suas próprias características, fato
que explica a personalidade marcante dos vinhos ali originados,
muito diferentes entre si e que refletem diretamente as sutilezas
de cada um dos microclimas identificados.
Com
gráficos animados e a simplicidade própria de que
realmente domina o assunto, Alejandro deixou em todos a certeza
de que podemos esperar do Chile muito mais do que temos hoje.
Ou seja, a brincadeira apenas está começando. Para
provar suas teses na prática, Alejandro conduziu para um
grupo de privilegiados jornalistas, uma degustação
didática, organizada com perfeição por Cláudia
Fusato e Serrana Verges, com nada menos que oito dos melhores
vinhos do Maipo Alto.
A
degustação do Maipo Alto, por Alejandro Hernández
Um
desfile de estrelas, é o mínimo que se pode dizer
desta degustação, que reuniu a elite do Maipo Alto.
Difícil destacar este ou aquele vinho, já que não
era este o objetivo e sim mostrar
as várias facetas do Maipo Alto, mas é quase inevitável
que alguns vinhos tivessem uma apresentação mais
destacada, fruto de sua altíssima qualidade. Assim, o Viña
Aquitania Lazuli 2002, um puro Cabernet Sauvignon de
nobre estirpe, encantou pela elegância e sofisticação,
com aromas complexos de frutas escuras maduras e notas de couro,
especiarias e chocolate, além de grande expressão
na boca, com bom corpo, excelente concentração e
longa persistência. O Domus Áurea 2001,
inconfundível pelos seus aromas de mentol e goiaba, delicioso
e sedutor, tem um grande fã clube, entre os quais me incluo
há muito tempo.
Outro
grande destaque foi o campeoníssimo El Principal
2001, eleito o melhor vinho do Chile pelo Guia de Vinhos
Chilenos 2003/2004, de autoria deste colunista, de Mário
Telles Jr. e José Maria Santana, que também estavam
presentes na degustação. Agora já mais evoluído,
o El Principal 2001 mostra-se com potentes aromas de frutas escuras
em geléia, bala de cevada, especiarias, torrefação
e couro. Na boca é expansivo, equilibrado, com destacada
maciez proporcionada por taninos plenamente maduros, encorpado,
concentrado e muito longo. Está cada vez melhor !!!
Os
outros vinhos degustados foram o jovem e já excepcional
Perez Cruz Cabernet Sauvignon Reserva 2004, vítima
de um "infanticídio consentido", que tem como
ponto alto neste momento os aromas sutis de violetas e frutas
escuras, com notas lácteas, além da ótima
concentração de sabores, taninos maduríssimos,
longa persistência e perfeito equilíbrio; o Hacienda
Chada Cabernet Sauvignon 2003 - com aromas de frutas
e leve mentol, de médio corpo; o Viña Huelquen
Cabernet Sauvignon Premium 2002 - mais ou menos no mesmo
diapasão, com aromas de frutas, com toques balsâmicos
e herbáceos; o Portal Del Alto Cabernet Sauvignon
2001 - agradável, com aromas de frutas escuras
e chocolate, corpo médio e toques herbáceos no retro-olfato
e o Haras de Pirque 2000, que tem no nariz seus
maiores encantos, com frutas em compota, bala de cevada e notas
de cana de açúcar, não muito intenso, de
médio corpo e persistência média.
Os
destaques da feira
Evidente
que não nos foi possível degustar todos os vinhos
da feira, na casp algumas centenas, no curto espaço de
tempo que nos restou após tão "árdua"
maratona de palestras e degustações especiais. No
entanto, foi possível extrair algumas pérolas, que
foram garimpadas e serão destacadas a seguir.
Começamos
com os vinhos da ótima Viña San Esteban,
que finalmente chega ao Brasil, para alegria de todos e felicidade
geral da nação. A grande atração é
o San Esteban In Situ Laguna Del Inca 2003, um
corte de Cabernet Sauvignon 40%, Carmenère 30% e Syrah
(30%), de grande classe, exibindo aromas de frutas escuras e especiarias,
ótima concentração, longa persistência
e delicioso retro-olfato. Os outros vinhos da linha também
foram apresentados por Horácio Vicente, enólogo
da San Esteban e merecem ser conhecidos: o In Situ Cabernet
Sauvignon Gran Reserva 2003, o In Situ Carmenère
2003 e o inacreditável In Situ Syrah Reserva
2003, um dos melhores vinhos produzidos com esta uva
no Chile. Os vinhos da San Esteban estão sendo importados
para o Brasil pela Selecta Importadora, de Porto Alegre.
Outra
estréia no Brasil que também merece muita comemoração
é a linha Floresta, da Santa Rita, uma ausência inexplicável
até agora e finalmente sanada pela Grande Cru Importadora.
Destaque absoluto no citado Guia de Vinhos Chilenos 2003/2004,
a linha foi representada na feira pelo ótimo Santa
Rita Floresta Cabernet Sauvignon/Merlot 2000 - um vinho
complexo que ainda precisa de tempo para mostrar todo o seu potencial.
Tratamos
agora de uma re-estréia, também muito festejada,
a da Odfjell Vineyards, agora representada pela
World Wine La Pastina, onde espera-se que tenha o reconhecimento
merecido pela extraordinária qualidade de seus vinhos.
O topo da pirâmide é ocupado pelo
Aliara 2001, um Cabernet Sauvignon puro- sangue
chileno, mas com sotaque norueguês (país de origem
do produtor) e com o toque mágico de Paul Hobbs, que é
o enólogo consultor da empresa. Potente, concentrado, longo
e de grande expressão, o Aliara 2001 é um vinho
que vai certamente marcar época. Ainda da Odfjell, merecem
ser citados os ótimos vinhos da linha Orzada
(em especial o Carignan, o Carmenère e o Cabernet Franc)
e todos os vinhos da linha Armador, que aliam
qualidade a preço muito convidativo.
A
Hannover, empresa capitaneada por Niels Bosner, trouxe duas novidades
da já consagrada Viña Viu Manent. A primeira é
a safra mais recente do Viu Manent Special Selection Cabernet
Sauvignon, a 2001, um monumento esculpido com as melhores
uvas da empresa em Colchagua, que se traduzem num vinho de intensos
aromas de compota de ameixa, mesclada a chocolate, especiarias
e tostado, de imensa concentração de aromas e sabores,
taninos sedosos e extraordinária persistência. A
outra novidade é o Viu Manent Malbec Single Vineyard
2003 (antigo Malbec Special Selection), um vinho inesquecível,
de aromas sedutores, corpo pleno, taninos incrivelmente finos,
equilíbrio perfeito e refrescante acidez. Vai fazer sombra
para seu irmão mais velho e ícone da empresa, o
Viu 1.
Outras
novidades que chamaram a atenção foram o Viña
La Rosa La Capitana Syrah 2004, produzido no Vale de
Cachapoal, num vinhedo situado em Peumo e que mostra com clareza
o potencial desta uva no Chile. Intenso, tem aromas de frutas
escuras, especiarias e toques balsâmicos, com ótima
concentração de aromas e sabores e longa persistência;o
Canata Paso Hondo Alta Seléction Pinot Noir,
um vinho de grande tipicidade produzido com uvas da região
de Bio-Bio (a mais ao sul do Chile) e o top de linha da Viña
Luis Felipe Edwards, o Dona Bernarda Blend Premium 2002, de grande
expressão olfativa e gustativa.
Deste
grande evento, fica a certeza que o Chile é uma fonte inesgotável
de surpresas e a diversidade de seus vinhos é a arma que
o país vai usar cada vez mais para encantar um número
sempre crescente de admiradores dos vinhos produzidos com arte,
amor e acima de tudo, respeito ao terroir e às melhores
tradições do país.
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