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Encontro Internacional do Vinho do
Espírito Santo, um evento memorável
Arthur
Azevedo
Em
sua oitava edição, o encontro de Pedra Azul reuniu
especialistas de todo o mundo em torno da estrela maior do evento,
o vinho.
A
oitava edição do Encontro Internacional do Vinho,
realizada em Pedra Azul, no município de Domingos Martins,
no Espírito Santo, sob a inspiração e a organização
do médico Roberto Serpa e seus fiéis escudeiros
(leia-se Podestá, Jesse e Eidi) atingiu plenamente seus
objetivos, congregando enólogos, enófilos e importadores,
do Brasil e de diferentes países produtores de vinhos.
Este
ano, várias degustações muito especiais e
almoços de harmonização (com a chef Bel Coelho
e o sommelier Manoel Beato) fizeram a alegria dos privilegiados
que se deslocaram para o cinematográfico Parque Nacional
de Pedra Azul, motivados por sua imensa paixão pelo vinho.
Destaques
do Encontro
Dentre
as muitas atrações do encontro, algumas atividades
merecem destaque, pela inovação,
pela profundidade com que assuntos técnicos foram abordados
ou simplesmente pelo imenso prazer que proporcionaram. Merece
menção a degustação de novos vinhos
espanhóis, conduzida por Arthur Azevedo, diretor-editor
de Wine Style, que apresentou alguns vinhos inéditos no
Brasil, trazidos pela Península importadora, como o estupendo
Numanthia 2002, de Toro, o Casa Cisca 2002, de Alicante e o ótimo
Abadia Retuerta Cuvée El Campanário 1999 de Sardón
de Duero.
A
palestra sobre Vinho e Madeira, que enfocou a influência
do carvalho sobre o vinho teve profundidade e didatismo poucas
vezes vistos no Brasil. Dois super craques, o enólogo Pascal
Marty, que já trabalhou no Château Mouton-Rothschild
e hoje é consultor de inúmeras vinícolas
e o especialista em barricas, Louis Blanchard, consultor da Seguin-Moreau,
maior produtor mundial de barricas de carvalho, se uniram para
mostrar de forma definitiva, os diferentes aspectos do uso do
carvalho no amadurecimento dos vinhos. Partindo de um mesmo vinho
base, mostraram aos presentes nada menos que 9 amostras com passagem
por diferentes tipos de carvalho, o que resultou em 9 vinhos diferentes
em seus aspectos organolépticos.
Vinhos
de Corte, o polêmico Sideways e o magnífico Montrachet
O
presidente da Associação Brasileira de Sommeliers-
SP e também diretor-editor de Wine Style Mário Telles
Jr., conduziu duas interessantes degustações. Na
primeira, abordou o difícil tema dos Vinhos de Corte, explicando
os diferentes aspectos da decisão de se mesclar duas ou
mais uvas, mostrando as vantagens e as desvantagens de tal associação.
Em outro desafio, foram discutidos com a platéia os diferentes
aspectos do polêmico filme Sideways, devidamente ilustrados
com uma impecável seleção de vinhos, onde
desfilaram estrelas como o Ancien Pinot Noir, do Russian River,
o notável Clos Eglise 2001 (de Pomerol), o clássico
Sassicaia 2000 (de Bolgueri, Itália) e nada menos que duas
safras, 1992 e 1998, de um dos ícones da Borgonha, o Richebourg
do Domaine Mongeard-Mugneret.
O
jornalista e consultor de vinhos Jorge Lucki teve destacada participação,
ao conduzir uma degustação do mítico Montrachet,
um Borgonha raro e de qualidades inegáveis. Lucki também
conduziu uma das degustações paralelas de grande
apelo, a dos vinhos de Bordeaux em garrafas magnum (1,5 litros).
Destacaram-se o Château La Gaffeliere 1998, o Tertre-Rotebeuf
1999, o Cos d'Estournel 1999 e o ótimo Château Pichon-Longueville
Contesse de Lalande 1996.
A
clássica uva Riesling foi mostrada em detalhes na palestra
de Euclides Penedo, da ABS-Rio e os vinhos do Chile e da Argentina
tiveram também seu momento, nas degustações
temáticas sobre o Alto Maipo e numa divertida disputa entre
os dois países, representados por dois de seus mais destacados
enólogos, o argentino Roberto de La Motta (Terrazas) e
o chileno Rodrigo Soto (Matetic). Venceram os enófilos
presentes que tiveram a chance de conhecer vinhos do quilate do
CARO (Catena-Rothschild), Cheval des Andes (Cheval Blanc/Terrazas),
Matetic Syrah e Neyem, este último um corte das uvas Carmenère
e Cabernet Sauvignon, provenientes do Vale de Apalta, vinificadas
com maestria por Patrick Valette.
A
grandiosidade do Cheval Blanc e as notáveis borbulhas francesas
Philipe
Mevel, especialista em borbulhas e enólogo da Chandon,
apresentou espumantes e champagnes franceses, numa degustação
em que a Taittinger Brut 1996 e a Gosset Grand Rose Brut mostraram
toda a classe dos vinhos de Champagne.
A
grande atração do encontro, o francês Pierre
Lurton, enólogo e administrador de duas vinícolas
emblemáticas da França e veneradas em todo o mundo,
Château Cheval Blanc e Château de Yquem, discorreu
num primeiro momento sobre o terroir e as particularidades de
Saint-Émilion, mostrando as sutilezas dos diferentes solos
e microclimas encontrados nesta que é uma das mais interessantes
regiões vinícolas do mundo. No entanto, a expectativa
era para a imperdível oportunidade de degustar nada menos
que seis grandes safras do Château Cheval Blanc, na companhia
de Pierre.
Trinta
e seis privilegiados acompanharam com reverência e atenção
as explanações de Lurton, sorvendo seus ensinamentos
e seus vinhos com a devida consideração. Para encerrar
momento tão especial, Lurton e Davide Marchovich, presidente
da LVMH para a América Latina, ofereceram aos enófilos
em estado de êxtase a oportunidade de degustar pela primeira
vez no Brasil o estupendo Château de Yquem 2001, um vinho
que recebeu 100 pontos de Robert Parker, um sério candidato
a se tornar o melhor Yquem de todos os tempos.
Como
se vê, Serpa mais uma vez conseguiu surpreender e até
superar as mais otimistas expectativas, o que apenas confirma
sua fama de "ligeiramente louco" (no bom sentido é
claro !!!). Ficam as lembranças de bons momentos em companhia
de grandes amigos e a torcida para que o tempo passe rápido
para que o 9o Encontro chegue logo.
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