Vinho Sul-Africano e Futebol, uma dupla de sucesso

Arthur Azevedo

20/09/2010

O futebol fez bem ao vinho sul-africano, pois, graças a ele, os brasileiros descobriram que a África do Sul, além da beleza e das riquezas naturais, é um dos mais interessantes países do chamado Novo Mundo do vinho.



Poucos sabem que a produção de vinhos naquele país começou há muito tempo, para ser mais preciso no século 17, com a chegada dos colonizadores holandeses e da Companhia Holandesa das Índias Orientais. O Cabo da Boa Esperança estava distante de regiões vinícolas importantes e, portanto, seria interessante que tivesse vinho em quantidade suficiente para consumo de seus habitantes e para abastecer os navios que ali passavam a caminho das Índias. Pensando nisto, o governador da província autorizou a importação e o plantio de uvas de diferentes variedades e de procedência francesa, que seriam utilizadas para a produção de vinhos para suprir as necessidades da nova colônia. O primeiro vinho da região data de 1659, o que torna a África do Sul a mais antiga região produtora do Novo Mundo. Este vinho é o mítico Vin de Constance, um delicioso vinho doce baseado na uva moscatel, que até hoje é a grande estrela do país.

A África do Sul é fonte de vinhos de alta qualidade, produzidos em regiões de grande relevância como Stellenbosh e Paarl, ou em áreas muito famosas como Walker's Bay e Franschhoek (literalmente "Cantinho dos Franceses") e muitas outras. Devido à odiosa política do apartheid, vigente no país até 1990, os vinhos sul africanos eram muito pouco comercializados no mundo. Com o fim desse regime, os vinhos ganharam o merecido reconhecimento internacional, inclusive no Brasil, onde aos poucos vão sendo mais conhecidos.

Uma curiosidade na África do Sul é a existência de uma uva original, a híbrida Pinotage, que foi desenvolvida em 1925 pelo Prof. A.I.Perold, que obteve sucesso no cruzamento da Pinot Noir e da Cinsaut (ou Cinsault), duas conhecidas varietais francesas. Em sua melhor forma, a Pinotage dá origem a vinhos escuros e concentrados, bastante potentes e com aromas e sabores exuberantes. Outro destaque são os vinhos brancos, em especial os produzidos com as uvas Sauvignon Blanc e Chardonnay, que se combinam com perfeição com a gastronomia local, focada em peixes e frutos do mar. Na ala dos tintos brilham com intensidade as varietais francesas, tais como a Cabernet Sauvignon e a Syrah, essa última uma estrela em ascensão. As carnes especiais, como avestruz e o delicado Karoo Lamb (cordeiro de leite da região da savana, em Klein Karoo), são a companhia ideal para esses suculentos tintos.

Indicações de Vinhos:

  • Boekenhoutskloof Syrah 2007 (Franschhoek/Paarl) - Não se deixe intimidar pelo nome complicado, esse é simplesmente o melhor Syrah produzido na África do Sul. Elegante e sedutor, tem rara concentração de sabores, textura macia, longa persistência e aromas inebriantes. Um sucesso absoluto. Nos EUA é conhecido como "The Chair Wine", numa simpática referência às cadeirinhas que estampa no singelo rótulo. Simplesmente imperdível... (Mistral Importadora)

  • Plaisir de Merle Grand Plaisir 2005 (Paarl) - Um tinto de fina estirpe, de grande complexidade aromática, paladar instigante e muita sofisticação. Representante da elite dos tintos do país, é uma bem elaborada mescla das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah. Intenso e agradável, tem fina textura e longa persistência. (Casa Flora)

  • Nederburg 2010 Sauvignon Blanc 2009 (Stellenbosch) - O vinho oficial e exclusivo da Copa do Mundo, licenciado pela FIFA, é um puro exemplar dessa exuberante e aromática uva francesa. Fresco, tem aromas que remetem a frutas cítricas e maracujá, com marcante presença em boca, sabores tropicais e ótima persistência. Vale (a garrafa vazia, é claro) como um belo souvenir da Copa. (Casa Flora)

Mais informações no website Wines of South Africa (www.wosa.co.za)

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