Rioja permite inclusão de regiões e aldeias nos rótulos

28/08/2017

O Conselho de Rioja aprovou propostas que permitirão que os produtores incluam os nomes de regiões geográficas menores e de aldeias específicas nos rótulos de seus vinhos, um novo avanço após a aprovação recente da classificação de vinhedo único.


A mudança se segue ao anúncio, feito pelo Conselho em junho, da introdução da classificação Viñedos Singulares (single vineyard) para seus vinhos D.O.Ca, a qual, disseram, foi uma "reação ao interesse do mercado pela obtenção de mais informações sobre os locais específicos de onde provieram as uvas empregadas na elaboração de determinado vinho".

Antes, os produtores podiam usar a expressão Rioja, e, após uma regulamentação de 1998, Rioja Alta, Rioja Alavesa ou Rioja Baja, paralelamente a uma de quatro classificações: joven, crianza, reserva e gran reserva.

A medida foi a culminação de uma longa batalha relativa ao terroir espanhol, travada entre o Conselho Regulador da Denominação de Origem Designada (com sigla em espanhol DOCa) e mais de 150 produtores, que alegavam que o atual sistema de apelação "estava alheio às diferenças nos solos e aos níveis de qualidade", e pediam "mudanças profundas" para incrementar o legado regional e impedir a valorização da quantidade às custas da qualidade.

Agora, além da classificação de Viñedos Singulares, o Conselho deu mais um passo e introduziu os vinhos de aldeia ou "pueblo", transmitindo os privilégios de rotulagem às indicações de um município ou cidade com o objetivo de dar mais visibilidade a essas regiões geográficas menores.

Isso significa que aldeias como Samaniego, San Vicente ou Haro poderão figurar no rótulo frontal ou posterior, sendo esses lugares chamados oficialmente de "pueblos". Os produtores podem indicar o "pueblo" sem precisar se referir à zona (Rioja Alta, Rioja Alavesa, Rioja Baja), ou podem informar ambos nos rótulos.

San Vicente de La Sonsierra, área nobre de Rioja, que agora poderá figurar nos rótulos

Antes, os produtores só podiam incluir o nome de sua "zona" no rótulo posterior, em função de uma mudança feita em 1998 nas regras.

"Isso também atende aos interesses de operadores, formadores de opinião e consumidores finais, que desejam ver nos rótulos mais informações sobre a grande diversidade de vinhos oferecidos pela DOCa Rioja", disse o Conselho na declaração que anunciou as mudanças. "Essas indicações vão complementar a gama tradicional e bem-sucedida de vinhos feita com cortes de várias origens".

Essa medida tomada pelo Conselho não só dá mais visibilidade a pequenas regiões da Rioja, como assinala o reconhecimento da importância da produção de vinhos com uvas de um único vinhedo na Espanha, bem como da contínua exploração e comunicação do terroir do país e das características individuais de um vinho conferidas por uma aldeia ou vinhedo específicos. 

"Após regulamentar, em 1998, um procedimento de identificação de procedência que permitia que os nomes de municípios ou sub-regiões (Rioja Alta, Rioja Alavesa, Rioja Baja) figurassem nos rótulos, o Comitê de Controle adotou uma medida adicional, contemplando situações nas quais os produtores cultivam videiras em locais limítrofes, dos quais serão permitidos até 15% do volume total de uvas", acrescentou o Conselho.

"A exigência será um vínculo duradouro com o vinhedo, que terá de ser um projeto permanente a fim de impedir a especulação. Esta margem de tolerância é parte das possibilidades oferecidas pelos regulamentos da União Europeia".


Outra mudança será no tamanho do texto indicativo de aldeia ou zona. Até agora, essas indicações estavam limitadas a um máximo de 2/3 do nome Rioja. Doravante, podem ser apresentadas em termos iguais, e a única exigência é que não se destaquem mais do que o nome da região, Rioja. 

A exigência de inclusão das classificações de envelhecimento – Joven, Crianza, Reserva e Gran Reserva – permanece.

Finalmente, os produtores de Vinos de Pueblo ou "vinhos de aldeia" terão de distinguir as marcas para esses vinhos.

"A Rioja continua a enriquecer sua gama de categorias, num processo de aprimoramento contínuo no qual está imersa, visando reforçar sua posição como padrão de referência de vinho de qualidade no mercado mundial", acrescentou o Conselho. 

"A nova organização dos vinhos estabelece exigências específicas para assegurar a qualidade dos vinhos e a veracidade das indicações nos rótulos".

As mudanças serão supervisionadas e implementadas por uma comissão presidida por Ramón Emilio Muro Aguirrebeña, representante das Cooperativas de Álava.
 

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Lauren Eads Lauren Eads é jornalista e editora do website The Drink Businnes. Após concluir com mérito os níveis 2 e 3 da WSET, agora cursa o nível IV. Seu trabalho como jornalista de vinhos lhe rendeu o premio de Emerging Wine Writer of the Year in the Louis Roedere
Lauren Eads

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San Vicente de La Sonsierra, área nobre de Rioja, que agora poderá figurar nos rótulos

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