Damilano, Piemonte em Pureza

18/12/2014

Trazidos ao Brasil pela Vinissimo, os excepcionais vinhos da Damilano estão de volta ao Brasil. Comandada por Paolo, Mario e Guido, quarta geração do clã piemontês cujo sobrenome batiza esta vinícola secular, a família Damilano honra a reputação dos icônicos Barolo, monumento da enologia italiana.

A família Damilano...


Vinho icônico de fama planetária, o Barolo constitui ao lado do Brunello de Montalcino, produzido na Toscana, região central da Itália, as mais preciosas joias da vitivinicultura do país da Bota. 

Elaborado unicamente na província de Cuneo, no Piemonte, região Noroeste, este monumento da enologia mundial é um dos primeiros tintos a receber a certificação Denominazione di Origene Controllata e Garantita (D.O.C.G.). A personalidade ímpar deste tinto intenso, complexo e longevo se deve à Nebiollo, a casta a partir da qual é legalmente elaborado por uma pequena elite de produtores locais, com total exclusividade.

Nebbiolo, a origem dos sagrados Barolos

Ao lado da Sangiovese e da Corvina Veronese, a uva Nebbiolo é uma das mais importantes da Itália. Esta nobre variedade tipicamente piemontesa dá origem a vinhos de grande estrutura, alta concentração de taninos e de grande capacidade de envelhecimento, como o Barolos e o Barbaresco. Ambos são vinhos de imensa complexidade e sofisticação, que envelhecem com rara elegância e refinamento.

Fundada em 1890 pelo patriarca Giuseppe Damilano, bisavó dos atuais herdeiros Paolo, Mario e Guido, que integram a quarta geração do clã piemontês – a Damilano é uma das mais antigas e tradicionais vinícolas familiares do Piemonte. Além da Nebbiolo, com a qual elabora seus premiados Barolos, cultiva a Barbera e a Dolceto em uma ampla e cobiçada área de 53 hectares (ha) de vinhedos próprios, localizados nas comunas de Barolo, Verduno Grinzane Cavour, Novello, La Morra, Castiglione Falletto Casorzo, Serralunga, Diano d'Alba e Vezza d'Alba.

Cru Cannubi, em Barolo, origem das preciosas uvas Nebbiolo

Seus prestigiados vinhedos e seu terroir são, por sinal, alguns de seus principais trunfos. Se houvesse uma classificação no Piemonte semelhante à da região Borgonha, por exemplo, a vinha Cannubi (ou Cannubio), cultivada com 100% de Nebbiolo, na comuna de Barolo, seria considerada como um dos poucos Grand Cru da região. Há registros da qualidade deste renomado vinhedo, datados dos anos de 1700: “Cannubi antes mesmo de Barolo”. Ou seja, o prestígio das terras da Damilano se origina desde os primórdios da produção vitivinícola do “Rei dos Vinhos” ou “Vinho dos Reis”, expressão com a qual o Barolo ficou conhecido. 

Uma das mais importantes peculiaridades de Barolo reside em seus diferentes solos, originários dos períodos Tortoniano e Helvético, que conferem diferentes características aos vinhos obtidos a partir da Nebbiolo. Nas comunas de Barolo e La Morra, predomina a marga-calcária azulada do período Tortoniano, um solo mais frio e que apresenta, além do calcário e da argila, significativa quantidade de magnésio e manganês, dando origem a vinhos mais macios, frutados e aromáticos. 

Cru Cannubi

Já em Serralunga D’Alba e Monforte d’Alba predominam solos do período Helvético, de arenito compactado, pobre em matéria orgânica e menos fértil, o que origina vinhos mais estruturados e com taninos mais firmes, de lenta maturação. Em Castigione Falleto, e nas demais áreas do Piemonte, encontramos mesclas variadas dos dois tipos de solo.


Conhecendo a característica de cada tipo de solo é possível saber qual o estilo do Barolo, desde que produzido com uvas de uma só das áreas de plantio, fato que vem sendo cada vez mais comum, seguindo uma tendência iniciada no início da década de 1980. Habitualmente, o Barolo DOCG sem menção a vinhedos específicos, como o Cannubi, são mesclas de vinhos obtidos a partir de uvas plantadas nos dois tipos de solo.

Além de seus renomados Barolos D.O.C.G., como o Cannubi, Cerequio, Brunate, Liste e Lecinquevigne, também fazem as honras no portfólio da Damilano, cuja produção anual é de 322 mil garrafas, o Dolcetto d’Alba D.O.C., Barbera d’Asti D.O.C.G. e Nebbiolo D.O.C. Margue, com avaliações destacadas pelo guia Gambero Rosso e Top 100 da revista Wine Spectator. 

Colheita manual na Damilano



(Texto preparado em colaboração com a Importadora Viníssimo)

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Arthur Azevedo Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP) , editor da revista Wine Style (2005/2011), jornalista especializado em vinhos, palestrante, consultor da Artwine, membro de confrarias internacionais.
Arthur Azevedo

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