Taita, uma nova referência em vinhos no Chile

15/04/2014

Aurélio Montes esteve no Brasil para comemorar os 25 anos de seu Montes Alpha Cabernet Sauvignon e, de quebra, lançar seu mais novo vinho, o surpreendente Taita. Artwine esteve lá e conta como foi...


Aurélio Montes  e seus vinhos são grandes estrelas do alentado catálogo da Mistral, que conta com alguns dos melhores vinhos do planeta. Não é sempre que se comemora 25 anos, bodas de prata, de um vinho de rara consistência e muito apreciado pelos brasileiros, que neste caso, não estão sozinhos, pois o Montes Alpha é um vinho de muito sucesso no mundo todo.

Para comemorar data tão especial, Ciro e Otávio Lilla, da Mistral Importadora, reuniram imprensa e clientes em grande evento no Tivoli São Paulo, para uma vertical do Montes Alpha Cabernet Sauvignon, com seis safras, conduzida pelo próprio Aurélio, um dos principais enólogos chilenos e personalidade ímpar no cenário daquele país, e para lançar o mais novo vinho da Montes, o esperado Taita

Vertical demonstrou as diferenças entre Curicó e Colchagua e consagrou as safras  1997 e 2001

Na ocasião foram mostrados os Montes Alpha Cabernet Sauvignon 1990, 1993, 1997, 2001 e 2010. Com exceção do 2010, que é de Colchagua, todos os outros vieram de Curicó, o que, segundo Aurélio, explica algumas das diferenças entre os vinhos já que Curicó é um vale que dá origem a vinhos mais tânicos e menos frutados. 

Em Colchágua, as colheitas foram mais tardias que em Curicó, o que dá aos vinhos taninos mais finos e elegantes.  Aurélio destacou ainda que os vinhos antigos eram mais franceses e confessou que “não era sua intenção fazer vinhos franceses, e sim, chilenos”.

Aurelio Montes durante a vertical de Montes Alpha Cabernet Sauvignon
Na degustação vertical estes fatos ficaram evidentes, pois o 2010 se mostrou totalmente diferente dos demais vinhos, uma verdadeira bomba de frutas, mescladas a mentol e tostado, com acidez elevada e taninos de boa textura, com ótimo potencial de guarda.

Dos mais antigos, o 1990 mostrou-se ainda vivo, com fruta, aromas já com certa complexidade e taninos resolvidos; o 1993 um pouco mais austero, com aromas evoluídos, de corpo médio, persistência média e taninos resolvidos; o 1997 encantou pelos aromas de frutas secas, couro, tabaco, especiarias, com boca muito agradável, macio, equilibrado, fresco e longo.

Já o Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2001 foi o grande destaque da vertical, um vinho realmente fora da curva, de saudável cor rubi com reflexos tijolo, aromas espetaculares de frutas maduras, especiarias, chocolate, caramelo e tostado elegante, muito saboroso, com boa fruta, acidez e álcool equilibrados, taninos de fina textura, bom corpo e longa persistência. Ainda tem potencial para evoluir na garrafa

Montes Taita, um vinho produzido com paixão, rigor enológico e sabedoria

Como definir um sonho? É difícil, mas com a determinação para superar as dificuldades, é possível concretizar o desejo de ir além dos limite, de fazer algo diferente de tudo o que já se fez.

Movido pelo espírito inovador que sempre o norteou, Aurélio não dormiu sobre os louros conquistados. Poderia até fazê-lo, pois seu portfolio de vinhos é invejável: Montes Alpha M, Montes Folly, Montes Purple Angel ou o californiano Star Angel, são algumas das preciosidades já produzidas pela Montes.

Com a ideia de buscar algo novo, Aurélio, os agrônomos da Montes e o especialista em terroir Pedro Parra encontraram um setor muito especial do vinhedo da Montes em Marchigue, uma área do Vale de Colchagua que se localiza entre a Cordilheira da Costa e o Oceano Pacífico, um local cuja topografia lembra a paisagem lunar, muito fresco e mais frio do que o restante do vale, o que permite um lento amadurecimento das uvas tintas.

O único terroir de um setor específico do vinhedo Montes em Marchigue é um dos segredos do ícone Taita

Neste setor específico foi identificado um solo único, remanescente de um antigo glaciar, que trouxe para o local uma grande quantidade de solo aluvional, com imensas pedras redondas, que criam um labirinto subterrâneo, por onde se infiltram as raízes da Cabernet Sauvignon, que se adaptaram a um regime de stress hídrico, se desenvolvendo sem a necessidade de irrigação.

A particular composição, de granito e argila decompostos, dá ao vinho elevada acidez e impressionante estrutura, fruto também do baixo rendimento, de quatro pequenos cachos por planta (contra 12 cachos em videiras com 100% de irrigação), e de uvas com grande concentração de matéria corante.

A origem do nome Taita e os notáveis encantos do ícone da Montes

O vinho foi batizado de Taita por Douglas Murray, um dos visionários pioneiros da Montes, lamentavelmente já falecido. No Chile, a palavra Taita designa o pai, o tutor, o mentor, alguém que com sua experiência de vida nos ensina com dedicação como viver melhor. Um guia para todos. Segundo Aurélio, “Taita será a referência, um vinho com refinada harmonia que ultrapassa todos os vinhos já criados anteriormente – um vinho nascido com sabedoria, afeto e paixão”

Com este cenário, todos estavam ansiosos para degustar o vinho, para ver se realmente a realidade corresponderia a expectativa. 


E o Taita 2007 não só correspondeu, como foi além. Trata-se de um vinho rubi, escuro, sem evolução em seus 7 anos de vida, exibindo aromas de frutas escuras (cassis, ameixa e amora) perfeitamente maduras, mescladas a chocolate e tostado. Aromas ainda jovens, que devem ganhar complexidade com a guarda em garrafa. Na boca é espetacular, expansivo, com imensa concentração de frutas, extremamente macio, com taninos finíssimos, longa persistência e rara elegância. Um novo marco na vitivinicultura chilena.

Para quem gosta de dados técnicos, o Taita 2007 é um corte de Cabernet Sauvignon 85%, com 15% de outras uvas de escolha do enólogo, provenientes de Marchigue, de um vinhedo com rendimento de 20 hectolitros por hectare, com 24 meses de amadurecimento em barricas novas de carvalho francês novo, de tostagem média. 

Um vinho infelizmente para poucos, pois são produzidas apenas 1000 caixas de 3 garrafas, ao preço de US$ 470,00 por garrafa de 750ml. Quem resolver encarar deve se apressar, pois serão destinadas poucas garrafas para o Brasil.

Os vinhos da Viña Montes são importados para o Brasil com exclusividade pela Mistral (www.mistral.com.br)

Agradecimento especial ao amigo Gladstone Campos, um craque das lentes, por algumas fotos que ilustram a matéria.


Aurelio Montes e o editor de Artwine, Arthur Azevedo

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Arthur Azevedo Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP) , editor da revista Wine Style (2005/2011), jornalista especializado em vinhos, palestrante, consultor da Artwine, membro de confrarias internacionais.
Arthur Azevedo

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