Jean-Luc Thunevin apresentou o Valandraud 2012 na ABS-SP

23/03/2014

Numa degustação histórica, Jean-Luc Thunevin apresentou na Associação Brasileira de Sommeliers-SP pela primeira vez no Brasil o histórico Château Valandraud 2012, ainda em barrica, para uma extasiada plateia. Nosso colaborador André Logaldi conta como foi...

Jean-Luc Thunevin autografando seus vinhos, na histórica degustação na ABS-SP

Jean-Luc Thunevin esteve na ABS-SP, na companhia de seu fiel escudeiro Juan Carlos Ferreira, para conduzir uma inédita degustação de seus ótimos vinhos, incluindo a apresentação em primeira mão, de amostra de barrica do excepcional Château Valandraud 2012, ano em que seu château foi, merecidamente, elevado à Categoria de Premier Grand Cru Classé em Saint-Émilion.

Jean-Luc deu um show de simpatia e bom humor e encantou a todos com sua simplicidade e conhecimento, característica dos grandes personagens do vinho, onde facilmente podemos enquadrá-lo.

Acostumado a lidar com o público desde os velhos empregos em bancos ou como DJ ou como sommelier de restaurante, ele por seu pragmatismo evidente, desejou um dia vender um vinho que ele mesmo na posição de consumidor realmente desejasse comprar. 

Sem grandes posses, começou à partir de 0,5 hectares de vinhas, a fazer o seu “vinho de garagem”. 

Pouco mais de vinte anos depois, o “Bad Boy” de St-Émilion sempre assessorado por sua esposa Murielle, cuidadora das videiras, atingiu por seus próprios méritos o status de “Grand Cru Classé”.

Sala lotada para apreciar ótimos vinhos de Thunevin

Sete vinhos de variadas regiões de Bordeaux e também do sul da França (Roussillon) compuseram o painel.  Da França meridional veio a primeira garrafa, um tinto de um terreno xistoso próximo à região dos vinhos doces de Maury, no Roussillon. O corte de Granache, Syrah e Carignan do Thunevin Calvet Cuvée Constance 2008 mostra um resultado interessante, com boa concentração (rendimentos da ordem de 20hl/ha, muito abaixo do permitido na região), fruta fresca e intensa, bom frescor, fazendo-o uma boa opção gastronômica.

O segundo vinho, branco, é inesquecível: a produção de apenas 10 mil garrafas anuais tem consultoria de um enólogo grego, que já passou por várias Domaines de prestígio na Borgonha como Lafon e Léflaive. Uma superfície de 2 hectares com corte de Sémillon e Sauvignon Blanc, maturação em barricas, sem fermentação malolática. É o Blanc de Valandraud 2008 Número 2, que à partir da safra 2010 se chama “Virginie de Valandraud Blanc”! Muito próximo de um grande Borgonha, ele é encorpado e untuoso, ainda assim muito fresco, com notas balsâmicas (mel, resina), fruta madura e aromas de anis, que marcam seu final longo.


Os tintos seguintes, são “quase-irmãos”: Château Compassant (terroir de Génissac na surpreendente região de Entre-deux-mers)) e logo após o Bad Boy (uvas de parcelas do Compassant e de Fronsac). O “Compassant 2004” faz jus à idade, mas com elegância, mostrando aromas de fruta muito madura aliado a notas defumadas, tabaco e champignons num paladar fresco e vivo, taninos de boa qualidade e boa persistência. 

O “Bad Boy 2009” é jovem e com brilhante devir. Concentrado em cor, aromas intensos e quase adocicados, às expensas de frutas maduras, especiarias e café. Rico e encorpado, tem taninos de ótima qualidade e longo em boca. Apenas 70 mil garrafas ao ano.

Tivemos mais dois vinhos tintos nascidos em terrenos de grande distinção: o “Château Bellevue de Tayac 2007” da comuna de Margaux carrega consigo esta excelência de origem num vinho de média saturação de cor, aromas finos de frutas maduras, defumados, café tostado e chocolate amargo. Um conjunto muito elegante e sedutor, de paladar delicado e taninos de excelente qualidade. 


A seguir, o sempre confiável “Château Fleur Cardinale” safra 2009 (a lamentar apenas que, graças a sua qualidade e constância, os preços estão ascendendo à alturas antes incomuns). Um terroir de 20 hectares com singularidades únicas, como a maturação mais tardia das bagas, este vinho mostra-se muito jovial, ainda com reflexos violáceos notáveis, aromas expressivos de frutas negras, notas balsâmicas e fino tostado. Muito cheio, rico em extrato, tem carga tânica considerável, de excepcional qualidade, de textura aveludada.

Para finalizar, uma experiência incomparável, que espero que todos tenham tido a noção de sua dimensão: Château Valandraud St-Émilion 1er Grand Cru Classé 2012. 

Quando se degusta um vinho deste naipe e no estágio em que se encontra, trata-se de uma degustação muito específica, pertencente ao universo dos “primeurs”. A análise técnica não deve ser feita em moldes convencionais. 

Vinhos primeurs são muito parecidos entre si no quesito visual e aromático (os aromas primários são quase sempre os mesmos, nota-se apenas a diferença na qualidade da madeira, percebe-se perfeitamente nuances que variam para cada “tonnelier” que forneceu o carvalho). 


O que torna a degustação de primeurs enriquecedora e elucidativa é a etapa gustativa! 

Aprecia-se sobretudo a qualidade dos taninos, sendo o álcool e a acidez ainda em estado de equilíbrio “alto”, muito intensos. Recomendo fortemente aos interessados que conheçam o site ou livro de Jean-Marc Quarin, exímio degustador de primeurs!

Após este longo e merecido preâmbulo, posso relatar que o Valandraud 2012 é e certamente será um vinho soberbo, marcado pela elegância, marca que carrega desde sua mais tenra infância. 

O vinho é púrpura profundo, impenetrável pela luz. Em meio às esperadas notas exuberantes de frutos negros e aromas balsâmicos (como qualquer grande primeur bordalês), percebe-se madeira sutil e de boa qualidade, muito bem dosada. De corpo “médio-plus”, tem paladar intenso, com a igualmente esperada secura pelos taninos muito jovens, que são porém de qualidade superior e como tal, se insinuam do meio para o fim de boca, com ataque macio. Final longo. Um grande vinho em estágio ainda embrionário!

Como não poderia deixar de ser, com os afortunados presentes como testemunhas, termino este texto realçando a delicadeza, a presteza e solicitude deste grande homem do vinho que se tornou Jean-Luc Thunevin, que além de tudo nos brindou com momentos de riso fácil, ainda mais felizes como estávamos diante de tanta alegria engarrafada! Bravo!

Agradecimentos muito especiais aos importadores dos vinhos de Jean-Luc para o Brasil, Péricles Gomes (Casa do Porto), Wlamir Rizzo (Vinissimo) e Adilson Carvalhal Jr. (Casa Flora)


Thunevin autografando a cobiçada, e única restante, garrafa do Château Valandraud Premier Grand Cru Classé 2012, em amostra de barrica

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André Logaldi Médico cardiologista, membro da diretoria de degustação da ABS-SP, palestrante, colaborador de revistas e revisor de livros sobre vinhos, tour-leader em viagens enogastronômicas (região de Provence-França)
André Logaldi

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