Torres, referência em vinhos espanhóis, mostra novidades no Brasil

14/09/2013

Miguel Torres, quinta geração da tradicional vinícola Torres da Espanha, proprietária de vinhedos em várias regiões daquele país, e também no Chile e USA, esteve no Brasil para mostrar alguns de seus vinhos e aproveitou para contar ótimas novidades. Confira...

Vinhos da Miguel Torres, perfilados e aguardando a degustação, na NB Steak House

Numa agradável e informal degustação, realizada nas moderníssimas instalações da mais nova steak house de São Paulo, a NB Steak, do empresário Arri Coser, a Devinum Importadora, representada por seu diretor Marc Perelló, recebeu o atual diretor geral da Torres, Miguel Torres, quinta geração da família, sucedendo seu pai, também Miguel, um dos mais interessantes e importantes personagens do cenário internacional do vinho.

Simpático, articulado e muito competente, Miguel Torres Maczassek  falou dos atuais e futuros projetos da Torres, incluindo as outras propriedades da empresa, no Chile e em Sonoma, onde a empresa possui significativos investimentos.

Miguel Torres, com a magnum de Mas La Plana, uma dupla de respeito

A primeira novidade interessante diz respeito ao primeiro Cava produzido pela Torres, que no momento descansa nas adegas subterrâneas da exclusiva vinícola, construída especialmente para abrigar o novo produto. Miguel nos adiantou que será uma Cava Reserva, da linha premium, elaborada com uvas do Alto Penedés, uma região nova no mundo dos Cavas, que habitualmente são produzidos com uvas do Penedés Central.

Outra revelação é a produção ainda muito pequena e restrita de um vinho branco de Albariño, de Rías Baixas, na Galícia, infelizmente ainda não disponível no Brasil, por se tratar de um vinho ainda experimental, originado de uvas de vinhedos arrendados pela Torres.

Mudanças climáticas – leia-se aquecimento global, uma das preocupações da Torres

Miguel Torres, o pai, é um dos expoentes dos estudos sobre a repercussão das mudanças climáticas sobre as vinhas na Espanha, e as notícias nesse campo não são nada animadoras, visto estarem sendo detectadas preocupantes mudanças climáticas em todo o país.

Analisando os fatos, a Torres decidiu-se pela aquisição de significativas parcelas de terra em Aragón, situadas em altitude de 1200 metros, bastante elevadas para os padrões europeus. Ainda não se plantou nenhuma videira no local, visto hoje as condições climáticas marcadas por baixas temperaturas não permitirem o perfeito amadurecimento das uvas, mas, como afirmou Miguel, a Torres está se preparando para o futuro.

Vinhedo Tremp, plantado em altitude elevada, um dos trunfos da Torres

Um dos vinhedos mais interessantes da Torres hoje está situado na DO Costers del Segue, “por motivos políticos e não vinícolas, por não ter as características da DO”, frisa Miguel. Estamos nos referindo ao vinhedo TREMP, localizado nos pré-Pirineos, onde estão plantadas as varietais Sauvignon Blanc, Merlot e Pinot Noir. 

Ali, a temperatura é baixa, com muito frio e videiras estão distribuídas nas encostas, para melhor exposição solar e aeração. A preocupação maior é o granizo, que pode danificar as parreiras e as uvas.

Recuperação de antigas cepas, um caso de arqueologia botânica

A equipe de engenheiros agrônomos da Torres vem realizando um excepcional trabalho de recuperação de antigas cepas, consideradas extintas na região, que são posteriormente replicadas por clonagem, dando origem a vinhos muito interessantes.

Até agora foram identificadas 32 variedades de uvas, algumas delas completamente desconhecidas e ainda sem nome. De todas, três estão merecendo especial atenção dos agrônomos por suas características particularmente interessantes. Por sigilo ou por mera precaução, foram batizadas de 8, 9 e 32. Vem coisa boa por aí.

Grans Muralles, vinho fruto das recentes pesquisas sobre antigas cepas do Penedés, foi um dos destaques da degustação

Esse projeto já começa a mostrar frutos, o mais destacado deles degustado no encontro, o delicioso Grans Muralles 2005, um intrigante corte de Monastrell, Garnacha Tinta, Garró, Samsó e Cariñena, todas originadas da Finca Grans Muralles, no Penedés e plantadas em solo de xisto e granitos do período paleozoico. Como destacou Miguel, a Samsó aqui encontrada é um pouco diferente da Cariñena, fato que não acontece em outras regiões, onde são idênticas.

Colhidas a mão, fermentadas separadamente em aço inoxidável e com passagem por barricas novas de carvalho francês (Tronçais, de grão fino) por 18 meses, dão origem a um vinho de cor rubi de boa intensidade, com elegantes aromas de frutas escuras maduras, entremeadas a notas florais de tostado, café e chocolate. Na boca é expansivo, com acidez e álcool em perfeito equilíbrio, boa fruta, taninos muito finos e longa persistência. Um vinho de exceção, que merece ser conhecido e que revela o acerto da Torres em buscar novas alternativas.

Mas La Plana, um velho conhecido, mostrou sua habitual classe na degustação

Outro grande vinho da Torres, este um velho, e querido, conhecido, o Mas La Plana 2009 mostrou sua habitual elegância e complexidade, exibindo suas credenciais de vinho da elite da Espanha. 

Cabernet Sauvignon em pureza, proveniente de videiras plantadas na década de 1960, ao lado da tradicional vinícola no Penedés, em solo muito profundos, com boa quantidade de calcário na forma ativa, formados de pedregulhos e solos aluvionais do período geológico do Mioceno. A primeira colheita desse vinho espetacular se deu em 1970 e, logo de início fez sucesso na Olimpíada de Vinhos em Paris, dando mostras do que seria sua brilhante trajetória de sucesso. Hoje os vinhedos estão com cerca de 40 anos, e as uvas para o Mas La Plana são provenientes das parcelas Torreta, Plana e Teula.

Os lendários vinhedos da Torres, origem das uvas do Mas La Plana, um Cabernet Sauvignon em pureza

Na degustação, o Mas La Plana 2009 mostrou-se com rubi escuro, com aromas sofisticados de fruta perfeitamente madura, emolduradas por fino carvalho francês, de barricas onde permaneceu por 18 meses, com notas florais e discreto tostado. Na boca é a elegância em pessoa, muito equilibrado, expressivo, com taninos muito finos e longa persistência. Um clássico contemporâneo, referência obrigatória em terras ibéricas.

Outros vinhos da Torres também se mostraram bastante interessantes, como o Ibéricos 2009, um Rioja bastante tradicional e agradável, o Salmos 2010, um Priorato de primeira linha, potente, intenso, com muita personalidade e potencial para longa guarda. Entre os brancos, destaque para o fresco e aromático Viña Esmeralda 2012, um velho conhecido dos brasileiros e para o Fransola 2011, um Sauvignon Blanc com 50% de fermentação em barricas, aristocrático e contido. O rosé De Casta Rosado 2012 é um vinho delicado e fresco, como convém a um vinho desse estilo. Ótimo para os dias quentes de verão.

NB Steak House, uma boa aposta na qualidade e na inovação

Elegância e sofisticação são a marca registrada da nova casa de São Paulo

Duas palavrinhas sobre a nova casa de Arri Coser, nome obrigatório em churrascarias no Brasil, por seu excepcional trabalho na Fogo de Chão. Nesse novo projeto, Arri optou por um esquema ousado de serviço, mesclando o clássico espeto corrido com o serviço das carnes em peças, cortadas à perfeição diretamente na mesa do cliente.

Completam a experiência uma deliciosa variedade de saladas e sobremesas de tirar o fôlego, com destaque para os churros com doce de leite e um “criminoso” pudim de leite, tudo com a grife do chef Pascal Valero, cuja presença à frente da cozinha mostra que nosso amigo Arri não brinca em serviço. As instalações são modernas, sofisticadas e elegantes e a adega abriga uma ótima seleção de vinhos em todas as faixas de preço. Vale a visita.


O decantado Pudim de Leite, uma tentação irresistível...


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Arthur Azevedo Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP) , editor da revista Wine Style (2005/2011), jornalista especializado em vinhos, palestrante, consultor da Artwine, membro de confrarias internacionais.
Arthur Azevedo

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