Um Master of Wine analisa as propriedades Blue-Chip

20/08/2013

TIM ATKIN, Master of Wine, é um dos mais conceituados críticos de vinhos da Inglaterra. Neste artigo, traduzido por Marcello Borges, Tim analisa alguns excelentes vinhos de Bordeaux, que são verdadeiras obras de arte, e ainda assim, são vendidos por preços que são verdadeiras barganhas. Anote em seu caderno de compras...

Tim Atkin MW, um dos mais conceituados críticos de vinhos, dá dicas para comprar Bordeaux bons e (ainda) baratos. Aproveite...

Quantos châteaux você conhece pelo nome em Bordeaux? Mesmo o consumidor mais apaixonado pelos vinhos da região ficaria sem ideias ao se aproximar de 120 nomes. 

Tome as 61 propriedades da classificação de 1855, acrescente mais algumas da Margem Direita, Pessac-Léognan e Sauternes... e o que mais? A menos que você tenha um conhecimento enciclopédico dos petits châteaux da região, acredito que você empacaria. 

Eu empaquei.

Mas vou surpreendê-lo: Uma estimativa aproximada (aparentemente, ninguém tem um número preciso), há cerca de 8.000 châteaux em Bordeaux. 

O nome é um tanto enganoso, pois abrange tanto um depósito frágil no meio de um campo até a glória palaciana do Château Margaux, mas deu para entender. Bordeaux é uma região bem grande, e a maioria de seus produtores estão se esforçando para vender seus vinhos. Para cada Lafite Rothschild (a propriedade foi avaliada pela Liv-ex em 3,7 bilhões de euros em 2011), há milhares de châteaux em má situação financeira.


A maioria dos consumidores e da mídia focaliza as 50 propriedades que se destacam. São os nomes que movimentam os mercados en primeur, de leilões e de vinhos finos, dividindo efetivamente Bordeaux em dois campos: os que têm e os que não têm (prestígio). 

Château Margaux, um dos integrantes da elite de Bordeaux

E mesmo entre os principais, há vários matizes entre os châteaux blue-chip. 

Os premier crus, os super  segundos e os principais nomes de Pomerol e de St.-Émilion são primus inter pares.

Nem preciso lhe dizer que a maioria desses vinhos é muito cara, mesmo em safras supostamente "mais baratas" como 2007, 2008, 2011 and 2012. Com efeito, pode-se dizer até que eles são mais comercializados (ou adquiridos como investimento) do que bebidos. 

Até 2000, eles eram relativamente acessíveis. Hoje, são marcas de luxo. Podemos reclamar dos preços, mas é apenas uma questão de oferta e demanda. Esta tem sido consistentemente maior do que aquela.

Isto suscita uma questão mais interessante. Ainda existem barganhas em Bordeaux? 

Creio que sim, mesmo entre os crus classificados: vinhos que proporcionam mais prazer pelo seu dinheiro. E o que quero dizer com barganha? Bem, uma boa relação preço/qualidade não é sinônimo de barato, obviamente; do contrário, todos estariam bebendo vinhos tintos de Bordeaux. 

Estes são 10 châteaux que, na minha opinião, estão abaixo do preço real. Pelo menos por enquanto...



Château d’Armailhac, Pauillac - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$60
Às vezes visto como primo pobre do clã Mouton-Rothschild, este 5eme cru de Pauillac pode lembrar um mini-Mouton nas boas safras, embora um pouco menos concentrado. Neste momento, ele está em boa forma.

Château Calon-Ségur, St Estèphe - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$115
O château pode ter trocado de mãos após a morte da temível Madame Capbern-Gasqueton, mas sob a batuta do talentoso maître de chai Vincent Millet ele continua a produzir o mais aromático e polido dos St Estèphes.

Château Feytit-Clinet, Pomerol - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$84
Desde que Jeremy Chasseuil assumiu esta pequena propriedade familiar em 2000, ela tem produzido vinhos cada vez mais impressionantes: ricos, com tons de carvalho e densos. Custando menos de um quarto do preço de seu vizinho, L’Eglise-Clinet, este é uma barbada.


Château Grand Puy Lacoste, Pauillac - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$109
Essência de um Pauillac refinado, porém concentrado, este é um vinho para pessoas que apreciam o clarete clássico e pronto. Sem brilhos exagerados e consistentemente excelente, este 5eme cru, propriedade de François-Xavier, merece ser muito mais conhecido.

Château Teyssier, St.-Émilion - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$29
Como qualquer garagiste de respeito deve fazer, o inglês Jonathan Maltus produz pequenas quantidades de vinhos muito mais caros, mas este é seu pão com manteiga, por assim dizer. Tem sido consistentemente um dos mais prazerosos St.-Émilions.

Château Olivier, Pessac-Léognan - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$34 (tinto), US$39 (branco)
Não são muitas as propriedades de Bordeaux que produzem um vinho tinto e um branco seco com o mesmo padrão elevado (as outras são Haut-Brion, La Mission, Domaine de Chevalier e Smith-Haut-Lafitte). Esses vinhos têm saído melhores desde 2004.


Château Potensac, Médoc - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$29
Propriedade de Jean-Hubert Delon, do Château Léoville-Las-Cases, este corte com base em Cabernet não ficaria fora do lugar num ranking de crus classés. Apesar de sua apellation modesta, ele costuma confundir os especialistas em degustações às cegas, e envelhece bem.

Château Poujeaux, Moulis - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$36
Sempre entre os melhores da lista de crus bourgeois, este vinho tem melhorado desde que Philippe Cuvelier, do Clos Fourtet de St.-Émilion, adquiriu este château em 2008. Não tem nada da rusticidade ocasional de Moulis.

Domaine de Chevalier, Pessac-Léognan - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$88 (tinto); US$116 (branco)
O vinho branco desta brilhante propriedade é merecidamente reconhecido como um dos melhores de Bordeaux, mas o tinto é tão bom quanto. Este é um tinto clássico de Graves: equilibrado e produzido para durar, e não "exibido" ou excessivamente amadeirado.


Château Les Cruzelles, Lalande de Pomerol - Preço da garrafa de 2010, sem impostos: US$40 - Denis Durantou, do Château L’Eglise-Clinet, diz que ele produz este Lalande de Pomerol com a mesma atenção dedicada a seu renomado Pomerol. Ele é redondo, tem boa fruta, o carvalho é sutil e o perfume encantador. Hora do Merlot!
 
 NOTA DO EDITOR - os preços citados na matéria são os chamados preços ex-cellar ou ex-works, ou seja, na vinícola, sem nenhum tipo de imposto e sem frete. Um verdadeiro sonho...

Artigo publicado originalmente no site www.wine-searcher.com

ATUALIZAÇÃO

O amigo Marcello Borges pesquisou os preços dos 10 vinhos no Brasil. Mesmo não sendo da mesma safra, dá para ter uma ideia...Vale a pena lembrar que 2010 foi uma safra excepcional em Bordeaux, somente comparável à 2009 e 2005.

Château d’Armailhac 2006 – Mistral = R$413,91
 
Château Calon-Ségur 2005 – Mistral = R$ 927,68
 
Château Feytit-Clinet – não encontrado
 
Château Grand Puy Lacoste 2004 – Zahil = R$524
 
Château Teyssier 2009 – Winebrasil = R$160
 
Château Olivier – não encontrei
 
Château Potensac – Vinitude = R$156,00
 
Château Poujeaux 2008 – Mistral = R$297,62
 
Domaine de Chevalier 2006 – Grand Cru = R$354,00
 
Château Les Cruzelles 2007 – Bacco’s = R$138,50
 

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Marcello Borges Marcello Borges é professor da Associação Brasileira de Sommeliers-SP (Conhaques e Charutos), tradutor, colaborador de revistas e sites especializados em matérias sobre vinhos, relógios, charutos, conhaque e outros assuntos ligados ao mercado de luxo.
Marcello Borges

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