Norton, a expressão do terroir de Perdriel - atualizada

28/05/2013

Existe terroir no Novo Mundo? Pelo menos na Argentina a resposta é afirmativa, graças a uma feliz coincidência de fatores geográficos e climáticos. Máxima expressão do terroir de Perdriel, a Norton produz vinhos de alta gama, trazidos ao Brasil pela Winebrands. Saiba mais sobre esses ótimos vinhos...


Vinícola e vinhedos em perfeita integração, no sagrado terroir de Perdriel


Falar em terroir no Novo Mundo pode soar como uma heresia, ou mesmo uma provocação, uma vez que esse termo francês está associado a alguns dos mais sagrados vinhedos da França, em especial em regiões como Borgonha ou Bordeaux, onde a palavra costuma designar microclimas específicos, onde se originam alguns dos mais importantes vinhos do mundo.

No entanto, na Argentina, graças a uma feliz conjunção de elementos geográficos e climáticos, aliados à altitude propiciada pela imponente Cordilheira dos Andes, o conceito de terroir pode, e deve, ser usado, sem restrições, pois se aplica perfeitamente à situação.

Estamos nos referindo aos vinhedos situados em altitudes em torno dos 1000 metros, nas proximidades da Cordilheira dos Andes, plantados em terrenos de pedregulho, areia e argila, profundos, de excelente drenagem e muito pobres. 

Ali, o clima continental semi-desértico, de dias quentes e noites frias, propicia a tão desejada amplitude térmica elevada, essencial para o perfeito amadurecimento das uvas viníferas. 

A Cordilheira dos Andes domina a paisagem de Perdriel

A irrigação se faz por gotejamento, usando as águas cristalinas originadas do degelo, cuidadosamente armazenadas para serem usadas ao longo do período de desenvolvimento da videira e seus frutos.

A área de plantio de Perdriel pertence hoje à DO Lujan de Cuyo, uma das mais antigas regiões de Mendoza, pioneira da produção de vinhos de alta gama na Argentina. Aqui se situa a Finca Perdriel, a primeira vinícola do grupo Norton, marca de grande prestígio, cujos vinhos são importados com exclusividade para o Brasil pela Winebrands.

Norton, uma história de sucesso há mais de 100 anos

A saga da Norton começou em 1895, quando o engenheiro inglês Edmond James Palmer Norton veio para Mendoza construir uma linha férrea, que uniria a cidade ao Chile. Pressentindo que ali seria um excelente lugar para cultivar uvas, importou mudas de videiras da França e iniciou a produção de vinhos, numa das primeiras vinícolas da região. 

O rumo da empresa começou a mudar em 1989, quando o empresário austríaco Gernot Langes-Swarovski, hoje mundialmente conhecido pelos seus disputados cristais, comprou a Norton, impressionado pela beleza dos vinhedos e da região e pelo fato de ser a única das tradicionais bodegas argentinas circundada pelos seus próprios vinhedos. 


O passo seguinte foi a modernização das instalações, tarefa confiada a seu filho Michael Halstrick, que a executou com rara competência, colocando a Norton como uma das principais empresas do ramo na Argentina.

Hoje, a produção dos vinhos está nas mãos de uma competente equipe de viticultura e enologia, coordenada pelo engenheiro agrônomo Pablo Minatelli e pelo enólogo Jorge Ricciteli, cujos profundos conhecimentos, aliados aos modernos equipamentos, são a chave para se entender o alto nível de qualidade alcançado pelos vinhos da Norton.

As diferentes fincas da Norton, a saber, Perdriel (950m), La Colona (1100m), Agrelo (950m), Lunlunta (850m) – todas na DO Lujan de Cujo, e Medrano (700m) – em Junin, totalizam 1265 hectares, dos quais 663 estão em efetiva produção. Muitas varietais estão ali plantadas, entre as quais destacamos: Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Barbera, Sangiovese, Syrah, Pinot Noir, Torrontés, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Sémillon e Riesling.

Uvas plenamente maduras são a matéria prima essencial para a produção de vinhos de alta gama

Perdriel Single Vineyard, a estrela maior da Norton

Em recente visita ao Brasil, o diretor de exportação da Norton, Diego Surazsky mostrou à Artwine alguns exemplares da linha Perdriel da Norton, incluindo um fresco e frutado Perdriel Colección Sauvignon Blanc 2012, que está chegando pela primeira vez ao Brasil. Muito agradável, o vinho impressionou pela tipicidade e pela excepcional expressão na boca. 

Foram também mostrados os ótimos Perdriel Colección Malbec 2009, obtido das melhores parcelas da Finca Perdriel, saboroso e muito macio, com ótima relação preço/qualidade (R$ 68,00), e o elegante Perdriel Colección Cabernet Sauvignon 2008, um vinho que comprova a impressionante evolução dessa varietal em solo mendocino.

As duas estrelas máximas da Norton também estiveram presentes, mostrando todo o potencial de qualidade que sempre caracterizou estes vinhos. Ambos possuem composição semelhante, baseados em Malbec, Merlot e Cabernet Sauvignon, em proporções ligeiramente diferentes. 

Leia, no final dessa matéria, a exclusiva entrevista que Diego deu à Artwine, contando todos os detalhes da Finca Perdriel...

Colheita manual e cuidadosa garante a qualidade das uvas da Norton

Degustamos primeiramente o Perdriel del Centenário 2007, um vinho criado para homenagear os 100 anos da Norton. Denso e potente, é um corte de Malbec 40%, Merlot 40% e Cabernet Sauvignon (30%), com 16 meses de passagem por barricas novas de carvalho francês. Mostra fruta exuberante, corpo pleno, taninos muito finos e longa persistência, num vinho com bom potencial de guarda, mas já bastante acessível.

Completando o time, brilhou o Perdriel Single Vineyard 2005, também um corte de Malbec 60%, Cabernet Sauvignon 28% e Merlot 12%, com os mesmos 16 meses de passagem por barricas novas de carvalho francês. Já com oito anos de evolução na garrafa, mostrou-se de cor rubi muito intensa, exibindo aromas sutis de frutas maduras, chocolate, alcaçuz e fino tostado, num vinho muito equilibrado, de fina textura e longo final. Já pode ser bebido hoje, com muito prazer, ou guardado por mais alguns anos. Difícil será resistir...

Barricas de carvalho francês das melhores tonelerias proporcionam a exata moldura para os vinhos da Norton


ATUALIZAÇÃO em junho 2013 - ENTREVISTA COM DIEGO SURAZKY,  DIRETOR DE EXPORTAÇÃO DA NORTON

Para saber um pouco mais sobre a Finca Perdriel, Artwine entrevistou, em São Paulo, Diego Surazky, diretor de exportações da Norton e profundo conhecedor de tudo o que diz respeito à este nobre terroir de Mendoza.

Artwine – Fale um pouco sobre a Finca Perdriel

Diego - A Finca Perdriel possui uma área de 100 hectares, com videiras plantadas a uma altitude de 950 metros sobre o nível médio do mar, com mais de 50 anos de idade, perfeitamente equilibradas e que costumam produzir frutos de grãos pequenos, concentrados e muito aromáticos. Entre as varietais plantadas se destacam a Cabernet Sauvignon, Malbec e Merlot.

Artwine – Como se deu o desenvolvimento da Finca Perdriel?

Diego - Ao longo de 115 anos se conseguiu um amplo conhecimento sobre cada uma das parcelas da Finca Perdriel. Quando foram realizadas as primeiras plantações em 1895, já se tratava de uma finca pioneira, que, com o passar dos anos, se tornou um vinhedo de alta qualidade, conduzido com a melhor tecnologia possível e no qual se utilizou a viticultura de precisão a partir de 1997. Desta forma, às condições naturais do terroir, se somam hoje uma visão moderna, capaz de transformar as uvas em vinhos de grande expressão e compromisso com sua origem.

Artwine – Como é o solo da Finca Perdriel?

Diego - O solo de Perdriel possui um perfil delgado e solto, formado por areia, limo e argila (60-30-10% respectivamente), no qual são abundantes as pedras redondas de rio, a não mais que um metro de profundidade. Ali se encontra o antigo leito de pedras do Rio Mendoza. 

É um solo muito permeável, que não retém água, o que obriga a raiz da parreira a esforçar-se para achar umidade na profundidade do solo. Por outro lado, a boa exposição solar esquenta rapidamente as inúmeras pedras expostas ao sol, aquecendo o solo e estimulando a brotação.

Vinhedos nas proximidades da Cordilheira dos Andes, plantados em altitudes elevadas, se beneficiam da elevada amplitude térmica da região


Artwine – E a respeito do clima de Perdriel, o que você teria para nos contar?

Diego - Perdriel possui o mesmo clima de Mendoza. A 950 metros sobre o nível do mar, a região consegue possui grande intensidade de luz e elevado número de horas/sol, fator que combinado com as chuvas muito escassas (250mm/ano), concentradas no inverno e, eventualmente, no verão, dão à região as condições ideais para o desenvolvimento de uvas excepcionais para a produção de vinhos. 

Um fato que merece ser destacado é  a baixa temperatura média durante o período produtivo da vinha – 16ºC, com elevada amplitude térmica, cerca de 15 a 20 graus de diferença entre o dia e a noite, de forma que as parreiras se encontram num regime de intensa respiração/transpiração durante o dia, com intensa fotossíntese, e baixa respiração durante a noite. 

Assim, as uvas concentram grande quantidade de antocianos, taninos e ácidos naturais, que depois se traduzem em vinhos intensos, equilibrados e aromáticos.

Artwine – Qual é o manejo do vinhedo durante todo o ano?

Diego – Ao longo do ano são realizadas várias ações no vinhedo, começando com a poda de inverno, que se realiza nos meses de junho, julho e agosto, com o objetivo de garantir uma brotação e vigor homogêneos. Essa poda consiste em cortar os sarmentos já secos e eleger os que farão parte da planta no próximo ciclo. Isso se faz mediante uma seleção dos melhores brotos, o que vai determinar o rendimento de cada planta, deixando uma quantidade de gemas adequadas (16 em média) para se desenvolver. 

Desta forma se consegue que as videiras produzam uma carga de frutas homogênea, e com boa exposição das folhas ao sol. Também se usa a irrigação por gotejamento, que é praticamente obrigatório no clima seco de Perdriel, evitando-se assim a desidratação das plantas. Deve-se ter extrema cautela nesse procedimento, pois fazê-lo em ummomento errado, ou com quantidade insuficiente de água pode ser desastroso. 

Assim, durante a primavera se aporta água às videiras de forma sistemática e, uma vez formado o cacho, se regula a quantidade, de forma a não diluir o fruto. Durante o crescimento da planta, se cortam as folhas excessivas, que podem bloquear a boa insolação (desfolhagem) e se ajusta a quantidade de uvas eliminando os cachos quando necessário (raleio).



Arwine – Como é determinado o momento da colheita?

Diego – seguindo as mais recentes técnicas, se colhem dados durante todo o período de desenvolvimento dos bagos, ao mesmo tempo em que os enólogos fazem contínua observação direta no vinhedo e a partir disso se estabelece o período ótimo de maturidade enológica para se colher as uvas. 

Para tanto, se realiza o seguimento analítico do acúmulo de açúcar, maturidade dos taninos e desenvolvimento da cor, determinando a melhor janela de colheita, que é confirmada pela degustação das uvas, realizada pelos enólogos no vinhedo.



Mais informações em www.winebrands.com.br 

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Arthur Azevedo Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP) , editor da revista Wine Style (2005/2011), jornalista especializado em vinhos, palestrante, consultor da Artwine, membro de confrarias internacionais.
Arthur Azevedo

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